Fila da cirurgia eletiva 'ganha' 1,1 mil pessoas por mês


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O comerciante Maikon de Oliveira espera há 8 meses por uma cirurgia de catarata
O comerciante Maikon de Oliveira espera há 8 meses por uma cirurgia de catarata
A fila da cirurgia eletiva em Franca não para de crescer. Perto de 50 novos casos surgem por dia o que significa cerca de 1,1 mil novos pacientes a cada mês. A espera por atendimento pode durar anos. Enquanto os procedimentos não são realizados, os pacientes sofrem com dores e, principalmente, com a incerteza sobre quando serão finalmente atendidos e se livrarão do uso constante de remédios. Entre as cirurgias mais comuns estão as de garganta (retirada das amídalas), catarata, hérnia, vesícula, além das vasculares e ortopédicas. 
 
Há oito meses o comerciante Maikon de Oliveira espera por uma cirurgia de catarata. Dono de uma lanchonete, o jovem, que ainda não sabe quando passará pelo procedimento, convive com as dificuldades impostas por sua condição. “Já perdi totalmente a visão do olho direito e a visão do lado esquerdo também está comprometida. A cada dia enfrento mais dificuldades e agora tive que deixar de trabalhar, pois cuido da minha lanchonete e já não enxergo o suficiente para fazer os lanches. Cheguei a procurar atendimento na rede particular, mas não tenho condições de desembolsar R$ 10 mil para a cirurgia”, desabafou. Para evitar que o problema fique ainda pior, o comerciante usa sete colírios diferentes por dia.
 
A mesma situação é vivida pela aposentada Maria Helena Donha, moradora do Parque Vicente Leporace. “Estou esperando há mais de seis meses por uma cirurgia de catarata. Minha visão está muito ruim e preciso usar colírio o tempo todo para tentar melhorar, mas está difícil.”
 
Com dificuldades para respirar e dormir, o sapateiro Júlio César Silvério, de 37 anos, aguarda desde 2013 por uma cirurgia para a retirada de adenóides. “Realizei diversos exames e o médico apontou a necessidade da cirurgia. Sofro para dormir com dificuldades para respirar, não sei mais quanto tempo vou ter que esperar”, disse.
 
Com o mesmo problema, o aposentado Antônio da Mota, 68, também se queixa. “Somos orientados a aguardar, mas estou nisso desde novembro do ano passado e até agora nada. Enquanto isso, vou vivendo com a falta de ar e à base de remédios.” 
 
No ano de 2015, de acordo com a Secretaria de Saúde, foram realizados 6 mil procedimentos cirúrgicos eletivos. O número de pessoas que aguardam na fila, assim como o prazo médio de espera por uma cirurgia, não foi divulgado.
 
Justificativas
Em nota, o secretário de Saúde, José Conrado Netto, informou que as cirurgias eletivas são solicitadas pelo especialista e a prioridade de atendimento é definida pelo profissional, sendo que as cirurgias são agendadas via Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviço de Saúde) e DRS (Departamento Regional de Saúde). Ainda segundo o secretário, um edital para a realização de um mutirão de cirurgias de catarata deve ser lançado nos próximos meses.
 
A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo culpou a alta demanda por cirurgias eletivas e a defasagem da tabela de pagamentos do SUS (Sistema Único de Saúde) pelas longas filas e a espera para a realização dos procedimentos.
 

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