Tragédia do córrego Cubatão completa 4 anos de sofrimento


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Policiais socorrem uma das vítimas no córrego. Tragédia do córrego Cubatão completou 4 anos
Policiais socorrem uma das vítimas no córrego. Tragédia do córrego Cubatão completou 4 anos
Nos últimos quatro anos, eles não passaram um dia sequer sem a recordação daquela tarde do dia 8 de junho de 2012. Dormir foi difícil por conta da lembrança de um pequeno corpo, de uma garota de 15 anos, sendo retirado das águas após cinco dias desaparecido. Impossível também foi passar nas imediações do córrego Cubatão, local onde aconteceu a tragédia que abalou a família Dominciano. As lágrimas não cessam. Tampouco a dor.
 
Era mais um dia de chuva forte de junho. O pedreiro aposentado Adelino Dominciano, de 78 anos, foi buscar exames médicos com a mulher, Maria de Lourdes Bruno Dominciano, hoje com 75. Os dois netos, Willian Dominciano Moreira, atualmente com 31 anos, e a neta, Sara Dominciano, 15, estavam com os avós para fazer companhia. Eles seguiam para casa, no Jardim Aeroporto II.
 
A família ocupava um Logus. O idoso o dirigia pela rua Marechal Deodoro. Ao chegar no cruzamento com a avenida, ele perdeu o controle e o veículo caiu no córrego. Rodou com a correnteza por cerca de dois quilômetros e só parou após bombeiros e populares interceptá-lo a poucos metros da cachoeira existente. Não havia proteção no córrego. “O carro virou e eu fiquei presa lá dentro. Só parou quando bateu. As pessoas nos ajudaram e os bombeiros conseguiram me tirar, mas machuquei a perna e, até hoje, tenho problemas. Perdi parte de uma delas e tenho dificuldade para andar. Meu marido e minha neta foram embora com as águas”, contou Maria de Lourdes, com a voz embargada.
 
O aposentado acabou jogado para fora do veículo e caiu na cachoeira. Foi resgatado 20 metros abaixo dela. A vítima terminou na Santa Casa, mas não resistiu. Sara desapareceu e só foi encontrada cinco dias depois. Fez aniversário nas águas, como definiu sua avó. 
 
Sua mãe, Elaine Dominciano, recorda com desespero e choro a morte da adolescente. “Minha vida desmoronou. Não durmo sem tomar remédio, faço tratamento psiquiátrico e não fico um dia sem me lembrar, especialmente em junho. É o mês do aniversário da minha filha. Às vezes, entro em desespero. Queria que essa angústia acabasse”.
 
Willian é outro a não esquecer da tragédia. À reportagem, ele diz ter quebrado o vidro e ficado em cima do teto do Logus, onde foi amparado por populares. Ontem, ele esteve no local para “homenagear” o avô e a prima. “Fiquei olhando e lembrando do acidente. Eu me acho tão culpado por não conseguir salvá-los”, afirmou. A vítima prosseguiu. “Toda vez, lembro da minha avó orando dentro do carro, pedindo ajuda. Do meu avô desesperado. Da minha prima implorando para eu não deixá-la morrer afogada. Depois que meu ombro deslocou, não pude fazer nada”, disse.
 
 

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