Quem imaginava que as sucessivas operações contra a corrupção em curso no País mais uma vez desembocariam na mesma impunidade de séculos, que revolta a maioria da população brasileira, sentiu-se pelo menos confortado. Ontem, foi divulgado que o procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Romero Jucá (PMDB-RR), do ex-presidente José Sarney (PMDB-MA) e do presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O pedido acusa a cúpula peemedebista de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato com base nas gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com Sarney, Renan e Jucá.
Depois que o hoje senador cassado Delcídio do Amaral, então líder do governo, foi parar atrás das grades em pleno exercício do mandato, não será surpresa nenhuma se o Supremo decidir acatar o pedido. E também não deverá surpreender ninguém se a esta ação seguirem-se outras, colocando atrás das grades todos os que tiverem comprovada a participação nas diversas fraudes envolvendo o pagamento de propinas com o dinheiro dos cofres públicos. Sabe-se que pelo menos 130 parlamentares já estão sendo investigados, podendo ter o pedido de prisão apresentado pela PGR junto ao STF. Além deles — e dos empreiteiros e operadores do Petrolão que já estão presos —, há ainda ex-ministros, ex-governadores e ex-parlamentares citados nas diversas delações já realizadas até aqui. Até o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e a presidente afastada Dilma Rousseff, ambos do PT, ao lado de diversos ministros das administrações de ambos, estão na mira dos investigadores.
O mundo político já está em polvorosa, uma vez que nunca antes na história do Brasil (como Lula sempre gostou de dizer) houve uma ação tão ampla e com potencial devastador como a da Lava Jato, a mãe de todas as investigações que vieram depois, como a Acrônimo, que pode colocar o atual governador Fernando Pimentel (MG) na cadeia. O fim da impunidade é o anseio de todos aqueles que trabalham, pagam impostos e não recebem serviços públicos com o mínimo de qualidade. Que os novos ventos tragam ao Brasil uma era de otimismo, capaz de transformar o ato de fazer política: sem fraudes, corrupção ou mesmo vícios que se disseminaram em nossa história republicana recente. O dinheiro dos impostos tem que beneficiar quem mais precisa, com a responsabilização daqueles que utilizam de cargos públicos, eletivos ou não, para encher os bolsos.
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