Cairo César Cruz assumiu o risco de matar. Essa afirmação, feita pelo delegado Dalmo Mateus Polo em documento concluído e entregue no Fórum na semana passada, resume o inquérito policial acerca da tragédia na avenida Paulo VI, em outubro de 2015. Agora, o caso envolvendo as mortes das jovens Mariana Luiza de Sousa, de 19 anos; Bruna Cintra Justino, 20, e Carolina Rodrigues Borges, 20, foi encaminhado ao Ministério Público para que se determine se há provas suficientes para que o ajudante-geral de 24 anos responda na Justiça pelo acidente.
O delegado indiciou Cairo por homicídio doloso na modalidade dolo eventual (quando o indiciado prevê o resultado de um crime, não quer o ocorrido, mas assume o risco de matar). Isso porque, de acordo com as investigações feitas pela equipe do 4º Distrito Policial, o jovem bebeu antes de dirigir e estava acima do limite permitido na via (60 km/h). “A confraternização no estabelecimento foi regada a álcool. Além das imagens e de depoimentos, inclusive da Laura (irmã de Carolina, que foi junto para a padaria), há os laudos. Assim, pode-se garantir que ele responda pelas mortes”, disse Polo.
Sete meses após o acidente, Cairo permanece em silêncio. Ontem, seu advogado, Ronaldo Rogério, afirmou que o jovem só se manifestará sobre o caso após uma decisão do Ministério Público de acatar ou não a denúncia feita pela Polícia Civil. “Não há como nos manifestarmos sem saber do que iremos nos defender”, explicou o advogado de defesa.
O inquérito, recebido pelo promotor da 1ª Vara Criminal de Franca, Cláudio Watanabe Escavassini, na sexta-feira, deverá ser analisado nos próximos dias. Não há prazo para que Cairo seja denunciado pelo MP.
O acidente
Na madrugada do dia 31 de outubro de 2015, após sair de uma padaria próxima à Unifran, Cairo César Cruz perdeu o controle do Fiat Linea que dirigia, invadiu o canteiro central e bateu em uma placa de publicidade e em uma árvore.
Com o impacto, as três garotas morreram. O estudante César Eduardo Gonçalves, 16, que também estava no carro, sofreu ferimentos leves. Cairo foi socorrido, ficou internado na Santa Casa e, sete meses depois, está recuperado.
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