A morte do garoto Ítalo, de apenas 10 anos, baleado por um policial depois de uma perseguição na semana passada, causou uma série de manifestações, principalmente de entidades de defesa de crianças e adolescentes e de direitos humanos, praticamente todos condenando a atitude do policial. Não houve, pelo menos até agora, uma análise mais distanciada da ocorrência, uma vez que a morte de uma criança ligada à criminalidade que assola o País é de estarrecer. De acordo com o acompanhante de Ítalo, de 11 anos, eles pretendiam fazer um “arrastão” em um prédio do Morumbi, em São Paulo, utilizando um revólver. Vendo que não conseguiriam, furtaram uma SUV na garagem do prédio, bateram duas vezes e, ao parar, foram abordados por policiais.
Como Ítalo teria atirado contra o PM, o revide foi mortal: com um tiro na cabeça, o garoto de 10 anos teve morte instantânea. Seu comparsa, depois de prestar depoimento, saiu livre da delegacia acompanhado da mãe.
A questão não se resume apenas à morte do garoto causada por um tiro disparado pelo policial, por mais trágica e triste que ela seja. Passa pela situação da crescente criminalidade envolvendo menores de idade. Aqui em Franca, conforme reportagem publicada na edição de domingo deste Comércio, um terço dos presos em flagrante é menor de idade. Somente de janeiro a abril deste ano foram presos 673 infratores, sendo que destes 210 eram menores (31% ou 1 a cada 3 presos). Como se pode ver, com a manutenção destas estatísticas, casos como o que vitimaram Ítalo podem se multiplicar, caso não haja uma movimentação para mudar a abordagem por nossas autoridades.
Se por um lado a legislação é branda, por outro não há qualquer iniciativa que torne mais efetivas as ferramentas de proteção ao menor. É como se eles não fossem responsabilidade do Estado. Da sociedade. Mas são.
A saber: o pai de Ítalo está na cadeia, a mãe deixou a prisão há pouco tempo e o garoto alternava sua vida nas ruas com períodos nas casas da avó e da tia. Passou uma dezena de vezes pelo Conselho Tutelar e nas três em que foi levado para um abrigo, fugiu. Já tinha participado de várias ações criminosas.
Se nada for feito em busca de uma legislação condizente com os nossos dias atuais, que realmente consiga retirar este contingente de menores das ruas e das garras do tráfico, do crime de uma forma geral, casos como o de Ítalo deixarão de ser exceção para se tornarem regra. O cenário que se desenha hoje para o futuro é negro. E muito preocupante...
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