Nos últimos três anos e cinco meses, em diversas oportunidades, consideramos aqui neste mesmo espaço que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) utilizava óculos cor-de-rosa que lhe permitiriam uma visão completamente dissociada da realidade vivida pelos francanos. Os seus atos demonstraram, ao longo do mandato, que o prefeito francano vive em uma dimensão paralela, onde apenas ele e um pequeno grupo de apaniguados viam progressos. Encalacrado com um processo na Câmara Municipal que pode levá-lo à perda do mandato e dos direitos políticos nos próximos meses, Alexandre Ferreira ainda é alvo de investigações do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) e da Justiça do Trabalho, em razão das inúmeras ilegalidades cometidas no comando da Prefeitura.
O que se viu nos últimos meses foi uma derrocada daquele que não conseguiu liderar o próprio partido e, às vésperas das eleições de outubro, perdeu todo o apoio legislativo que teve desde a sua posse. Foi derrotado nas prévias do PSDB para Sidnei Rocha e está sendo objeto de uma Comissão Processante na Câmara, aprovada por 12 dos 15 vereadores, que pode cassar o seu mandato. Ele, que sempre contou com a complacência dos membros do Legislativo, pode encerrar de forma melancólica a sua passagem pela chefia do Executivo francano, isolado, rejeitado até por quem o elegeu e ostentando o epíteto de ‘pior prefeito da história do município’. E ele reage tal como “meninão mimado”, como foi chamado por Sidnei Rocha: diz-se incompreendido, faz-se de vítima e, o que é pior, apresenta-se como dono de uma capacidade que sabidamente não possui.
Na última sexta-feira, em evento oficial, deixou clara a falta de humildade para admitir falhas e erros, colocando sua administração como a mais profícua do País. Aponta excelência onde não existe e cita o asfaltamento do Parque das Árvores como parte de sua “capacidade”, como não fosse obrigação do Poder Público em realizar este tipo de serviço. É para isso que o cidadão paga impostos. E vai além, ao ignorar os problemas graves da Saúde Pública que levaram à criação da CP na Câmara: a manutenção do ICV (Instituto Ciências da Vida) que trouxe uma quadrilha de falsos médicos para atuar nos Prontos-socorros de Franca e que, em pouco mais de um ano, recebeu cerca de R$ 22 milhões, grande parte disso por causa de falsos plantões. Alexandre Ferreira já não dissocia a Franca real daquela que existe apenas em seu mundo paralelo. Mas Franca já estava pronta a lhe dar o ‘bilhete azul’ nas urnas, o que o seu próprio partido impediu. Vai sair do Paço Municipal rumo ao ostracismo, um caminho que ele mesmo construiu.
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