Nos últimos dois anos, a região de Franca perdeu quase dez mil postos de trabalho. Segundo dados do Ministério do Trabalho, com base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram 9.815 vagas fechadas. Mais da metade relacionada à industria calçadista e de confecção. Dos 16 municípios analisados, dez tiveram redução dos postos. Os outros seis, mesmo não fechando vagas, viram o ritmo de crescimento diminuir.
Franca, a maior cidade da região avaliada, foi a que mais fechou vagas. Em 24 meses, o município perdeu 5.837 postos. “Desde o início de 2014, estamos enfrentando uma recessão. A situação econômica do país acaba se refletindo nas vendas e consequentemente na produção. Para se ter ideia, só em dezembro do ano passado foram demitidos 7 mil trabalhadores da indústria calçadista”, disse o presidente do SindiFranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão.
E a cidade, segundo ele, ainda não conseguiu reverter o saldo negativo. “Em janeiro, recontratamos 1,3 mil. Em fevereiro, 2 mil. Em março, 965. No mês passado, esse número caiu para 460. Estamos preocupados”, disse. Pelas projeções do Sindicato, vai ser muito difícil Franca conseguir recuperar os postos fechados ainda em 2016. “O panorama econômico nos mostra que a economia ainda vai demorar para entrar nos eixos. Para nós, retomar os empregos só mesmo a partir de 2017”, disse.
Batatais, que conta com uma população de cerca de 60 mil pessoas, perdeu, no ano passado, mais de 1,1 postos de trabalho, a grande maioria na indústria e no setor de serviços. Para o vice-prefeito, José Paulo Fernandes, o peso para a economia do município foi grande. “Estamos vivendo os reflexos desta crise nacional. De fato, a situação é preocupante”. Assim como Brigagão, José Fernandes também acredita que a melhora só deva vir o ano que vem. “Não vai acontecer a curto prazo”.
Outro município que também viu as vagas de emprego encolherem foi Orlândia. A cidade perdeu mais de 450 postos de trabalho, a maioria no comércio e na agropecuária. Lá, a prefeitura está investindo na capacitação de empresários e trabalhadores para tentar reverter o saldo negativo.“Não conseguimos atrair novos investidores. Então, estamos focando nas empresas já instaladas no município. A ideia é ajudá-las a melhorar a gestão e conseguir elevar o faturamento, gerando empregos”, disse Marisa Caldana, diretora da Divisão da Indústria e Comércio de Orlândia.
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