Confissão


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A crítica literária assinada pelo colunista Álvaro Costa e Silva, no caderno ‘Ilustrada’, da Folha de S.Paulo de 27/02/16, versa sobre a obra Julio Cortázar - Aulas de Literatura, Berkeley, 1980, que o próprio Cortázar fez resultar de suas aulas em curso de literatura que ministrara na Universidade de Berkeley, EUA. 
 
Ao referir-se ao livro O jogo da amarelinha, que celebrizara o mesmo escritor, lembra-nos que este fez-se objeto de maior curiosidade quando revelou como se deu a gênese do livro, cujos capítulos foram escritos de forma desordenada. 
 
Produziu, primeiro, os capítulos do meio, depois os demais. Relata que os levara para a casa de um amigo, onde os esparramou pela sala e, depois, foi apanhando aquelas peças que viriam a ser o famoso romance. Certa feita, revelou: ‘deixei-me levar por linhas de forças.’ 
 
Noutra ocasião, informou que sua obra, Casa tomada resultou de um pesadelo que teve numa manhã de verão. Pulou da cama e, ainda de pijama o escreveu, vendo-se compelido a outro desabafo: ‘embora possa parecer paradoxal, devo dizer que tenho vergonha de assinar meus contos, porque tenho a impressão de que me foram ditados por alguém, e que não sou o verdadeiro autor.’ 
 
Espíritas, cumpre-nos esclarecer que todos somos médiuns, alguns de modo ostensivo, a maioria não. Todavia, considere-se que, ao escrevermos algo, pode ocorrer de estarmos acessando conteúdos contidos no nosso inconsciente. É quando somos médiuns de nós mesmos, manifestando-se o que denominamos animismo. 
 
Pode, porém, tratar-se mesmo de verdadeira intermediação mediúnica que espíritos promovem para falarem ou escreverem aos encarnados. Mas, restaria uma terceira hipótese, qual a de tratar-se de conteúdo resultante de elucubrações mentais do escritor. Entretanto, como é ele próprio que confessa acreditar que a autoria não lhe pertence, é justo que se admita médium, independentemente de ser ou não espírita. 
 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca 

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