Festa com dinheiro de bolsos alheios


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O afastamento de Dilma Rousseff (PT) e a posse de Michel Temer (PMDB) na presidência da República podem causar impacto positivo nas contas públicas (o rombo pode chegar a R$ 200 bilhões) e na retomada do crescimento, estagnado há quase dois anos. Porém, se depender da classe política, o Brasil ainda vai continuar andando para trás, com parlamentares completamente dissociados da realidade, ignorando completamente os anseios de seus eleitores. As provas abundam, não só no Congresso Nacional, mas também pipocam nas casas legislativas espalhadas pelo País, como a decisão dos vereadores de Ribeirão Corrente que aprovaram, na última terça-feira, 31, um aumento de 35% para vereadores e de 10,7% para o prefeito. É algo que não cabe neste momento em que o Brasil luta contra uma das maiores crises econômicas de sua história, com o desemprego atingindo mais de 11 milhões de trabalhadores e a estagnação da produção industrial. Cobram-se sacrifícios das classes menos favorecidas da população, enquanto uma verdadeira farra é feita com o dinheiro que escoa do bolso do trabalhador.
 
O (mau) exemplo vem de Brasília. Sem qualquer alarde, a Câmara dos Deputados aprovou a criação de 14.419 cargos federais — quase quatro vezes os 4.000 postos comissionados que Michel Temer prometeu extinguir neste ano. A medida estava no projeto de lei que concedeu aumento a servidores da Suframa, aprovado em meio aos reajustes salariais a diversas categorias do serviço público, inclusive do Poder Judiciário, que trarão impacto de R$ 58 bilhões às contas públicas. Dentre os cargos aprovados, a maior parcela é de técnicos administrativos em educação — são 4.732. Há, inclusive, 52 postos no Instituto Brasileiro de Museus e 516 analistas para o Comando do Exército.
 
Embora o governo alegue que a medida faz parte pacote apresentado por Dilma Rousseff antes de seu afastamento, garantindo que a criação de 14 mil cargos vai compensar a extinção de outros postos equivalentes, parlamentares da base aliada, inclusive do PMDB, se posicionam contra a medida neste momento, por causa do impacto que teriam nas já combalidas despesas do governo. As movimentações, pelo menos de parte da Câmara, é pressionar o Senado (que ainda vai analisar a chamada “pauta bomba”) para que rejeite esta medida. Além disso, parlamentares pretendem realizar gestões junto ao presidente Michel Temer para que vete a criação destes cargos. Neste momento, avaliam aqueles que se posicionam contra a criação de novos postos na administração federal, não é hora de aumentar as despesas: a crise e os brasileiros exigem justamente o contrário. 
 
 
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