O grande desafio de Parente na Petrobras


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O novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, assume a maior estatal brasileira com um grande desafio: sanear a empresa e recuperar o seu valor de mercado. É uma tarefa inglória, já que precisará mexer nos contratos do pré-sal e, principalmente, cortar gastos que passam pela redução do pessoal. Outra providência será auditar todos os contratos fechados até aqui com empreiteiras (a maioria delas envolvidas no caso do Petrolão, onde formaram um clube para desviar dinheiro dos cofres da petroleira para bolsos de diretores, partidos e políticos). Muita coisa precisará mudar e Parente deverá enfrentar a oposição cerrada dos partidos que defendem a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e o poderoso sindicato dos petroleiros. Com um quadro funcional inflado, a Petrobras não consegue nem chegar perto de suas concorrentes mundo afora: tem mais funcionários e fatura muito menos.
 
Dados publicados pela coluna Diário do Poder, do jornalista Cláudio Humberto, apontam que a a gigante Saudi Aramco, da Arábia Saudita, a maior petrolífera do mundo (que produz um de cada oito barris de petróleo do planeta), está avaliada em R$ 6,5 trilhões e tem 65 mil funcionários. A Petrobras, que nem chega perto da Aramco em produção de petróleo, está avaliada no mercado em cerca de R$ 60 bilhões, se tanto, e paga salários a 249 mil pessoas, das quais 84 mil são concursadas e 165 mil terceirizadas. A Shell, a Exxon e a British Petroleum, outras gigantes do petróleo, empregam juntas 262.000 pessoas, 13 mil a menos que a Petrobras. Isso mostra as dificuldades de Pedro Parente: mesmo depois cortar 30 mil funcionários e colocar mais 12 mil na fila da demissão voluntária, a Petrobras ainda manteria mais de 100 mil terceirizados e 84 mil concursados, quase 20 mil a mais do que a Saudi Aramco.
 
Para se ter uma idéia da diferença, em 2014, antes do Petrolão, a Petrobras lucrou US$ 1 bilhão; a Shell, US$ 14 bilhões; a Exxon, US$ 32,5 bilhões e a BP, US$ 12,1 bilhões. É um custo-benefício muito alto que coloca a estatal brasileira como uma das mais ineficientes companhias do setor no planeta, apontando para uma ineficiência operacional e administrativa que o novo presidente da estatal quer encerrar. Junte-se a isso o dinheiro desviado pela corrupção e vê-se o tamanho do rombo que combaliu suas finanças. Os processos abertos por acionistas da Petrobras nos Estados Unidos podem causar um prejuízo ainda maior à empresa. Por isso, Pedro Parente vai precisar driblar as pressões e fazer o que é preciso para que o País não perca um de seus maiores patrimônios por causa da administração temerária e da série de crimes verificada contra seus cofres. Vai ser difícil, mas não impossível.
 
 
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