Seis anos depois, a Justiça condenou o empresário e político Tirso de Salles Meirelles por ser o responsável pelo acidente que matou o supervisor Jandemir Messias da Silva, 47, sua mulher Elizete Aparecida Silva, 46, e a filha mais nova do casal, Izabella Messias da Silva, 12.
O acidente aconteceu na Rodovia Fábio Talarico, na altura do Km 85, no dia 19 de junho de 2010. À época, Tirso era candidato a deputado federal e intensificava sua campanha pela região. Naquele sábado, ele voltava de um evento em Guaíra, quando invadiu a pista contrária e bateu seu Ford Edge no Uno dirigido pelo supervisor, que fazia o sentido contrário. Com o impacto, Jandemir, sua mulher e sua filha morreram no local. Tirso foi socorrido e um mês depois recebeu alta sem sequelas.
O delegado de São Joaquim da Barra, que investigou o acidente, denunciou Tirso à Justiça como responsável pelas mortes. O processo criminal correu pela 1ª Vara de São Joaquim. No último dia 6 de maio, o juiz Rafael Martins Donzelli proferiu sua sentença a respeito. Com base nos laudos da perícia realizada no local e em depoimentos de policiais e testemunhas, o magistrado considerou Tirso culpado pelo acidente. “Não há qualquer dúvida de que o acusado (Tirso), ao avançar parcialmente na contramão da rodovia, deu causa ao acidente que gerou o óbito das vítimas”, afirmou ele na sentença.
O juiz ainda afirma que Tirso não só foi o culpado, mas tinha a consciência de que seus atos poderiam causar um acidente. “As circunstâncias fáticas permitem afirmar que o acusado agiu em evidente culpa consciente. Posto que, ainda que não desejasse causar o resultado, o ato de invadir a contramão da pista permite concluir que é plausível a causação (sic) de um acidente”.
O juiz condenou o empresário a pena de dois anos e 11 meses de reclusão. Mas como o período é inferior a quatro anos, converteu a pena ao pagamento de multa no valor de 30 salários mínimos, o que equivale a R$ 26,4 mil. O dinheiro será encaminhado a entidades assistenciais indicadas pela Justiça. Além disso, o empresário também teve sua carteira de habilitação suspensa por dois anos e 11 meses e está proibido de frequentar bares, casas noturnas, boates, prostíbulos e outros estabelecimentos de lazer noturno ou de reputação duvidosa, pelo mesmo prazo.
Da sentença ainda cabem recursos. Como a pena foi menor do que a pretendida na denúncia apresentada pelo Ministério Público, que requereu a condenação de Tirso pelos três homicídios e não apenas um único ato, é provável que haja apelação. Por parte do empresário, seus defensores também devem recorrer, já que alegam que Tirso não foi o responsável pelo acidente.
No final da tarde de ontem, o Comércio procurou o empresário para comentar a sentença, mas ele não atendeu ao celular. A filha mais velha do casal que morreu, Karen Daniele Messias, também foi procurada para se manifestar a respeito do resultado, mas não atendeu às ligações. Ela ainda move uma ação na esfera cível pedindo indenização ao empresário pela morte de seus familiares. O processo corre em segredo de justiça.
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