Para muitos analistas, o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) por si só seria capaz de dar o fôlego que o governo precisava para fazer frente à grave crise que paralisa o País e para promover a retomada do crescimento. Porém, pouco mais de 15 dias após a posse do interino Michel Temer (PMDB), a administração federal não fez, ainda, nenhum anúncio de impacto — que possa aquecer as engrenagens da economia, por exemplo — o que pode denotar que continua sofrendo do mesmo imobilismo da sua antecessora. E, pior: já enfrenta crises provocadas por gravações, no caso, as que foram divulgadas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e que provocaram o afastamento de dois ministros recém escolhidos. Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência, Fiscalização e Controle) foram flagrados em conversações nada republicanas com Machado, o presidente do Senado Renan Calheiros e o ex-presidente e senador José Sarney. Em todas as conversas, falava-se da operação Lava Jato e formas de minar o processo comandado pelo juiz Sérgio Moro.
A continuar da forma como vem se desenhando o panorama político do País, Michel Temer vai ter que mudar o ministério outras vezes, pois vários de seus auxiliares (inclusive o líder do governo na Câmara dos Deputados, André Moura, do PSC, ligado ao presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha) são suspeitos de participação em esquemas de corrupção, muitos citados nas delações de implicados nas fraudes detectadas na Petrobras. Caso não aja com celeridade, Michel Temer — que já sofre uma oposição cerrada no Congresso por parte de parlamentares petistas e de partidos que se alinham à presidente afastada — corre o risco de repetir o mesmo roteiro dos últimos meses do governo de Dilma Rousseff. O imobilismo pode engessar a sua administração, já que começa a ver aliados de última hora, como o PSDB e o PDT, demonstrarem sua contrariedade com os últimos acontecimentos.
Temer precisa mostrar a sua capacidade de raposa política, como o ex-deputado Ulysses Guimarães e o ex-presidente Tancredo Neves, de quem foi colega de partido, para driblar as adversidades e colocar o governo nos trilhos. E tudo passa por uma faxina de sua equipe, com a retirada daqueles que possam causar algum constrangimento futuro e a substituição por nomes mais refratários a qualquer denúncia que possa surgir. Foi bom que as gravações de Sérgio Machado surgissem agora, o que ainda dá condições para que o presidente se posicione de forma firme e afaste qualquer desconfiança sobre os membros de sua equipe. Do contrário, o Brasil voltará a perder um tempo que, na verdade, não temos mais. É preciso dar a volta por cima já e colocar a Nação nos trilhos.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.