Garota espera há 16 dias por alimentação própria


| Tempo de leitura: 2 min
Garotinha de apenas 11 anos necessita de composto alimentar Nutren Júnior e está há 16 dias sem conseguir o produto
Garotinha de apenas 11 anos necessita de composto alimentar Nutren Júnior e está há 16 dias sem conseguir o produto
A dona de casa Kelly Cristina Bastos, moradora do Parque Vicente Leporace, está desesperada. Ela é mãe da Sara, uma menina de 11 anos que, em virtude de suas deficiências físicas e mentais, só consegue se alimentar por meio de sonda. Para isso, a menina precisa do composto alimentar Nutren Júnior. O problema é que a Secretaria Municipal de Saúde, que por ordem judicial deveria fornecer o composto, ainda não o entregou. Há 16 dias, Kelly vem solicitando o alimento sem sucesso. O medo é que Sara fique sem comer e tenha seu quadro de saúde agravado.
 
Kelly conta que desde 2010 conseguiu na Justiça uma ordem para que a Prefeitura de Franca e o governo do Estado sejam obrigados a fornecer gratuitamente o composto alimentar a Sara. Todo dia 15 de cada mês, ela comparece à Secretaria de Saúde com uma receita médica para retirar 22 latas, quantidade suficiente para a alimentação da menina por um mês. Mas, segundo Kelly, no último dia 15, ao comparecer à Secretaria, em vez das 22 latas a que teria direito, ela recebeu apenas 3. “Eles disseram que não tinha mais, que haviam feito o pedido e que eu deveria voltar na semana seguinte”, disse. Ela voltou à Secretaria na semana passada e novamente o composto ainda não havia chegado. No início desta semana, como as três latas já haviam acabado, ela voltou a procurar a Prefeitura. Sem sucesso. “Disseram que eu teria de esperar, que não havia previsão de entrega. Não tenho condições de comprar, cada lata custa R$ 55. Não tenho esse dinheiro. Então pergunto: minha filha tem que esperar a boa vontade da prefeitura para poder comer? Ela é frágil. Não pode passar fome”, disse, revoltada.
 
Segundo Kelly, a recomendação médica é para que a menina receba dosagens de Nutren a cada três horas. Como ela não tem recursos para comprar as latas, tem pedido doações a amigos, familiares a até a instituições como a Apae. “É o que tem nos ajudado. Mas estou desesperada. É muito difícil ver minha filha e não saber como irei alimentá-la”, disse ela.
 
Kelly disse que deve acionar novamente a Justiça por conta do descumprimento da ordem judicial. “É um direito da minha filha. Eles não podem negar”. 

Resposta
Procurado para comentar o caso, o secretário municipal de Saúde, José Conrado Netto, disse que o composto está em fase de compra por parte da Prefeitura. “Um lote já chegou na tarde de hoje (ontem) e será entregue a Kelly”, disse, por email. 
 
Segundo o secretário, a Prefeitura de Franca fornece Nutren Júnior para outros três pacientes, além de Sara. Todos com ações judiciais em conjunto com o Estado de São Paulo. A Prefeitura de Franca dispensa, em média, 46 latas por mês.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários