Agora é difícil ter volta. Caso a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Franca mantenha a postura demonstrada até aqui, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) segue célere rumo à cassação. Ontem, os integrantes da Comissão Processante que investiga a conduta do prefeito, anunciaram que o processo de cassação terá sequência. Alexandre é acusado de ter praticado crimes de responsabilidade e contra a Lei de Licitações, além de infrações político-administrativas. Em sua defesa, o prefeito diz que as denúncias que pesam contra ele são ‘totalmente improcedentes’, além de apontar supostos erros formais na condução da CEI dos Falsários. Porém, depois de ter conseguido uma liminar para barrar o processo, viu o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) restaurar a CP e tem, agora, poucas chances de reverter uma decisão já esperada.
Para se defender, o prefeito se utiliza do mesmo procedimento do ex-presidente Luís Inácio da Silva para se livrar do mensalão: “não sei, não vi, não participei”. Também a presidente afastada. Dilma Rousseff (PT). age da mesma forma, ao se apresentar como vítima e alheia a tudo o que ocorreu sob o seu governo, nas fraudes descobertas na Petrobras. O prefeito francano diz ainda que não deu causa a nenhuma das acusações e que não tinha o domínio do fato. ‘Se houve ou não eventuais falhas na fiscalização da execução de contratos ou processos administrativos, isso não pode ser atribuído ao prefeito’, alega, numa clara transferência da culpa para a então secretária de Saúde, Rosane Moscardini. Mas foi ele que continuou pagando fortunas ao ICV (Instituto Ciências da Vida), mesmo diante de seguidas denúncias de ação irregular por parte do Instituto e dos coordenadores da Secretaria de Saúde instalados nos Prontos-socorros ‘Dr. Álvaro Azzuz’ e Infantil. O prefeito parece “esquecer” da quadrilha de falsos médicos que
foi trazida para atuar na cidade, por meio do Instituto que ele contratou e com o qual renovou contrato cinco vezes seguidas.
Foi Alexandre Ferreira que manteve o contrato e os pagamentos, o que só foi cancelado mediante determinação da Justiça. Do contrário, os francanos ainda estariam à mercê de médicos sem qualificação para atender nas unidades de saúde da Prefeitura. E a resposta à defesa do prefeito foi dada ontem, pelos integrantes da Comissão Processante, que anunciaram o seguimento do processo. Agora, cabe à maioria dos integrantes da Câmara analisar criteriosamente todas as acusações e, por fim, definir o futuro político do prefeito.
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