Não discuto preferência políticas de quem quer que seja. Livre arbítrio é o maior de todos os dons. Cada um tem direito à dispor da própria vida, de tomar decisões sobre o que quer que seja. Mais dia, menos dia, somos apresentado ao enriquecimento fácil. Os olhos crescem, ética e moralidade balançam. A consciência, a resistir, propõe: ‘se quero o melhor para os meus, é esta a chance’. Você acaba considerando que ‘de tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, você não pensa em desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto?’ (que Ruy Barbosa não se revire no túmulo. Uso sua frase por uma boa causa).
Vamos à história dos 54 milhões de votos dados a Dilma Rousseff, e que ela e seu partido apresentaram como rubrica à continuidade no poder federal. O opositor de Dilma teve 51 milhões de votos, e outros 37 milhões de votos foram embranquecidos, anulados ou, quem tinha direito, não compareceu à urna. Não concordavam nem com Dilma, nem com Aécio, nem com ninguém. A realidade matemática e inquestionável: 61,33(!) foram contrários a Dilma, ao PT e à sua base de apoio; e 64,66(!) foram contrários a Aécio, o PSDB e seus apoiadores!
A eleição foi, e como permitia a lei, só um jogo matemático que deu ao PT o direito de dizer-se — e ai está a inconsequência — autorizado por ‘mais 51% do país’. Foi Dilma, mas poderia ter sido Aécio, e não haveria diferença. Ambos queriam o mesmo projeto de poder, e a sociedade brasileira que se (...) pelo enriquecimento de poucos em detrimento de todos. Continuaríamos órfãos não fossem uns poucos agentes judiciários parirem à luz, o que sempre esteve escondido sob o tapete.
Devagar, muitos têm tomado consciência de que políticos que os convencem são, na verdade, bandidos capazes de fechar olhos a quaisquer crimes que lhes interessem; penalizarem até a própria mãe (a casa da mãe de Dirceu, aquele, está penhorada), tirarem alimento da boca de crianças, autorizar ilegalidades contando com a impunidade que, por leis por eles aprovadas, lhes garantem.
É pior, porque além da podridão de políticos e seus partidos, também estamos nós no mesmo tacho. Adoramos — e invejamos! — messias, salvadores da pátria, gente que diz que saiu do nada, mentirosos contumazes. Como tenho dito, a culpa é nossa!
Para mudar, não vejo com simpatia o que faz Joko Widodo na Indonésia, fuzilando; nem o suicídio de políticos japoneses flagrados por corrupção; muito menos a condenação à morte que Irã, China, Coréia do Norte e Arábia Saudita praticam contra quem corrompe ou é corrompido.
Única saída é a sociedade se tornar consciente, fiscalizar duramente os políticos que elege e exigir, dos partidos políticos, ética e moralidade. (Saúdo o leitor Dársio Batista, professor, petista inconformado com falcaturas cometidas por políticos em quem ele confiava, e em todos os outros políticos. Propôs a nota que se segue, e que me levou ao tema de hoje. Quem quiser participar deste ‘Debate aberto’, aproveite. Ninguém tem que renunciar ao que pensa, a não ser que queira...).
CONVERSA COMIGO MESMO - FINAL: ‘Por gostar de ler seus artigos livres de qualquer paixão partidária, gostaria de saber sua opinião sobre as gravações que revelam o golpe orquestrado por caciques do PMDB em por fim à Lava Jato, bem como à revelação de que o MDL (Movimento Brasil Livre) teve sua estrutura de manifestação pró-impeachment financiada por partidos de oposição, provavelmente com dinheiro público. É estranho para movimento que dizia ser apartidário e contra uso irregular de dinheiro público. Enfim, um país corrupto em todos os cantos e instâncias? (Dársio Cândido Batista - Franca - SP).
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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