O escritor inglês escolheu o pseudônimo de Lewis Carroll (1832-1898) para assinar duas histórias. com a protagonista Alice. Ambas são consideradas obras clássicas da literatura mundial.
Alice no País das Maravilhas conta a história de uma menina chamada Alice que cai em uma toca de coelho e vai parar num lugar fantástico povoado por criaturas muito estranhas. Entre elas, plantas, flores, animais e objetos que falam. É um livro que teve muitas adaptações para teatro e cinema. No início da história, Alice estava deitada na grama com sua irmã num dia de sol quando viu passar um coelho branco super apressado, alegando que estava atrasado para um compromisso. Curiosa, a menina o segue e cai em um buraco. Chegando no chão, percebe-se num salão redondo e cheio de portas. Mas nenhuma estava aberta. Então, ela espia pela fechadura com um dos olhos e vê que, do outro lado, existia um jardim lindíssimo.
Depois de alcançar o jardim é que Alice realmente começa a tomar conhecimento dos indivíduos que habitam aquele país, e dos lugares que há por lá: o Rato, as Aves, o Lagarto, a Lagarta, a Lebre de Março, o Chapeleiro Maluco, o Caxinguelê dorminhoco... E a Rainha de Copas, injusta e cruel, mandando cortar a cabeça daqueles com quem antipatizava.
Já Alice Através do Espelho começa com a menina sentada numa grande poltrona brincando com um dos filhotinhos de sua gatinha Dinah, quando leva um susto ao ver o grande espelho que cobria a parede em cima da lareira. Ela o atravessa e vai parar num mundo de fantasia onde conversa com flores que falam e tenta, em vão, alcançar uma colina, para assim ter uma visão panorâmica de onde está. Só que, até encontrar a Rainha Vermelha, ela anda em vão e todos os caminhos que toma acabam levando-a de volta à casa do jardim de flores falantes.É como se caminhasse em círculos. Depois de se apresentar à Rainha Vermelha, esta a ajuda, levando-a até o topo do morro. Lá, Alice percebe que onde estava se trata de um terreno demarcado como um tabuleiro de xadrez.
Passando por provações mascaradas pelas jogadas de xadrez (ela deveria avançar as casas até chegar no seu destino - por exemplo, sempre é bom começar a jogar avançando duas casas, (e foi o que ela fez), conhece criaturas estranhas, porém interessantes, e passa por situações esquisitíssimas.
Uma característica dos dois livros é a utilização da literatura de travessia. Neste tipo de escrita, o autor utiliza artifícios para ligar mundo real e mundo de fantasia. Em Alice no País das Maravilhas, a travessia é o buraco aos pés da árvore. Em Alice Através do Espelho, a travessia é pelo espelho. Se você já leu Crônicas de Nárnia, do Tolkien, já adivinhou que ali a travessia se faz através da porta do guarda-roupa.
A editora Zahar tem linda edição de bolso com as ilustrações originais de John Tenniel, que era amigo de Lewis Caroll e fez os desenhos para os primeiros livros.
Da literatura para o cinema
Os dois livros que tornaram a personagem Alice eterna chegaram ao cinema. O primeiro filme foi Alice na País das Maravilhas, em 2010. Agora é a vez de Alice através do Espelho. O filme estreia nesta quinta-feira, inclusive em Franca.
Em Alice através do Espelho o Tempo é um personagem importante na história. Ele é representado por relógios e ponteiros. Os ajudantes são os segundos. Juntos eles formam os minutos. A máquina para voltar ao passado é literalmente uma geringonça mecânica com volantes e cordas para puxar. Reaparecem personagens do livro e filme anteriores como o Chapeleiro.
Mas o mais importante de tudo é que sentimentos universais tomam conta de cada cena, na intenção de transformar o texto um pouco sombrio de Lewis Carroll numa aventura familiar e inofensiva, que pode agradar a quase todos os gostos.
O criador de Alice
Charles Lutwidge Dodgson – mais conhecido como Lewis Carroll – nasceu em 27 de janeiro de 1832 em Daresbury, e morreu em Guildford, em 14 de janeiro de 1898. O nome deste escritor inglês está inscrito na história da literatura mundial por ser o autor de Alice no País das Maravilhas, o mais estranho e fascinante livro para crianças jamais escrito.
Filho de um pastor anglicano, Lewis Carroll tinha dez irmãos e cresceu num ambiente onde aprendeu a contar histórias e cuidar e distrair crianças. Apaixonado por matemática e fotografia, foi nomeado professor de matemática em Oxford, em 1861. Como fotógrafo amador, fotografava crianças a quem conhecia, filhas de seus amigos. Sua obra-prima foi inspirada em Alice Liddle (então com 4 anos), amiga de suas irmãs.
Por sugestão do escritor Henry Kingsley, o livro foi publicado em 1865 sem ser especificado se era para adultos ou crianças. Foi um sucesso enorme. Em 1871, foi publicada a sequência, que seria Alice no País do Espelho. Religioso, professor e pesquisador, Lewis Carroll escreveu outros livros, entre poemas, ensaios científicos, textos técnicos e de ficção juvenil.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.