Um administrador eleito deve ser flexível. Precisa reconhecer os próprios erros, voltar atrás em decisões equivocadas e ouvir as opiniões daqueles que lhe deram o cargo. Da mesma forma como o País acompanhou nos últimos treze anos nas administrações de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (ambos do PT), o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) deu mostras de que a falta de firmeza pode atrapalhar qualquer governo, seja ele federal, estadual ou municipal. Uma lição que seus antecessores não aprenderam e ele, mesmo sendo considerado uma raposa política, também não. E muito menos o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), aqui em Franca. Não à toa ele pode ter o mesmo destino da hoje presidente afastada. Agora, a saída de Romero Jucá (PMDB) do ministério mostra que Temer age como Dilma e Lula.
Depois de voltar atrás na extinção do MinC (Ministério da Cultura), o presidente em exercício confirmou na noite de ontem o afastamento de Romero Jucá do cargo de ministro do Planejamento. Jucá foi flagrado em uma gravação conversando com o ex-dirigente da Transpetro Sergio Machado sobre um pacto para barrar a Operação Lava Jato. Durante o governo Lula, o indiciamento de aliados não servia para que eles fossem afastados do núcleo do poder. Com Dilma não foi diferente: quando demitiu alguns membros do primeiro escalão por causa de denúncias de corrupção, meses depois ficou o dito pelo não dito ao reintegrá-los. Nem as denúncias dos delatores na investigação da Lava Jato foi capaz de fazê-la apartar-se de qualquer dos acusados. Empossado em momento crítico, sucedendo um governo crivado de denúncias de corrupção, Temer caiu na armadilha de seus antecessores, ao costurar uma coalizão com políticos suspeitos de corrupção. Romero Jucá nem deveria ter sido indicado, assim como outros ministros e até o líder do governo na Câmara, acusado de crime de homicídio. Do contrário, não terá tranquilidade para levar avante os seus planos.
Embora tenha ganhado pontos com a equipe econômica e de relações exteriores, Temer erra em manter suspeitos ao seu lado, correndo o risco de colocar a sua administração sob suspeição. Da mesma forma, a extinção do Ministério da Cultura: as manifestações contrárias, de uma minoria engrossada pelos “movimentos sociais” que prosperaram sob Lula e Dilma, poderia desestabilizar um governo que ainda está no começo. Sem tranquilidade, Temer não conseguirá resolver a grase crise econômica que vivemos. Qualquer ‘ruído’ prejudicará os esforços que, hoje, contam com a torcida a favor de grande parte dos brasileiros. Como já disse o presidente em exercício, o governo só tem uma chance e não pode errar agora. Torcemos para que atinja os seus objetivos.
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