Nos primeiros cinco meses de 2016 o número de pessoas que passaram pelo terminal rodoviário de Franca, de acordo com a administração do local, diminuiu drasticamente. A crise, aliada ao desemprego e à incerteza sobre os rumos da economia, faz com que o cidadão deixe de viajar para conter gastos. Para se adaptar a essa nova realidade, que também reflete nos estabelecimentos instalados no terminal e até mesmo na rotina dos taxistas que relatam uma queda de 30% nas “corridas”, as empresas estão cancelando horários e, em alguns casos, terceirizando o trabalho para economizar nos gastos.
Para o administrador da Rodoviária de Franca, Geovane Luiz da Silva, que trabalha no local há 30 anos, a situação nunca esteve tão complicada como agora. “A situação está muito ruim, uma catástrofe completa. O pessoal não está viajando, as empresas cortando horários e tentando se adaptar a essa nova realidade. Nunca vivemos um momento tão complexo como este, mas temos que acreditar, e tenho expectativa que o futuro nos reserva dias melhores.”
Uma das empresas a sentir os efeitos da crise foi a Contijo/Continental, que tem como principais destinos cidades do Nordeste. Por tratar-se de um destino mais longo e caro, a procura por passagens caiu mais de 30%, segundo o agente Wellington Moreira Oliveira, que está na empresa há sete anos.
“Estamos vivendo o fluxo inverso. Antes as pessoas procuravam Franca para trabalhar e hoje elas vão embora pelo alto custo de vida. Quem antes morava aqui e visitava até três vezes a família no Nordeste, hoje, se muito, viaja apenas uma vez e somente em caso de necessidade”, disse.
A consequência, segundo Oliveira, será a terceirização do guichê e a demissão dos funcionários. “Para a empresa, é muito mais fácil terceirizar a venda das passagens do que custear funcionários e o aluguel do guichê. Já temos a certeza de que o serviço vai ser terceirizado e essa é, provavelmente, a nossa última semana aqui”, completou.
Na viação São Bento, que tem como principais destinos cidades como Ribeirão Preto e Batatais, horários com saída de Franca ainda não foram cancelados, apesar de o fluxo de passageiros ter diminuído, principalmente no período de férias, já que estudantes compõem grande parte dos passageiros. Em contrapartida, em cidades como Morro Agudo e Orlândia, a viação cancelou alguns horários temporariamente.
Na viação Cometa, que tem como principal destino São Paulo, alguns horários também foram cancelados, de acordo com o administrador da rodoviária e também passageiros. Outros foram alterados, com o objetivo de lotar mais os ônibus antes das viagens.
A viação Andorinha, que tem como destinos principais Barretos, São José do Rio Preto e Presidente Prudente, também cancelou horários.
As três empresas não quiseram comentar as alterações e cancelamento de horários.
Reflexos
Os taxistas também estão sentindo no bolso o reflexo da queda de passageiros na rodoviária. Neste ano, as corridas já caíram, de acordo com os profissionais, em média 30% se comparado com o ano passado, que é considerado ruim por eles.
“A situação, desde setembro do ano passado, está se agravando. Hoje perdemos mais de 30% das corridas. Se antes fazíamos, em média, 15 viagens por dia, hoje isso não chega a 10”, disse o taxista José Mendes Filho, que trabalha há nove anos no local.
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