‘Agora, é suplantar a dor da perda dele e de mamãe, e prosseguir praticando o que nos ensinaram’
Morreu às 17h30 do dia 18 de maio, quarta-feira, no Hospital Regional, o senhor Richieri Preda, proprietário da Auto Elétrica Preda, das mais tradicionais oficinas de serviços mecânicos e elétricos de veículos de Franca. Tinha 84 anos.
Internado à altura da metade do mês de abril, Richieri enfrentou as semanas finais de sua vida sob cuidados intensivos contra o câncer diagnosticado em 2009. “Se submeteu aos tratamentos convencionais, melhorou, mas houve recidivas. Sabemos que, finalmente, encontrou a paz, perto de mamãe, que perdemos ao início de 2015”, disse o filho Wagner.
Richieri conheceu a moça bonita que se tornaria sua mulher, Maria Aparecida Nogueira Preda, quando se dirigia ou voltava do trabalho diário. “Mamãe via o moço que passava, sabia os horários em que ele passaria, e corria para a janela. Encantados um pelo outro, papai tomou coragem, parou, conversaram, namoravam e se casaram”. Tiveram 62 anos de casamento harmonioso, repleto de respeito e amor, até à morte dela. “Estou certo que papai, ano passado, já lutando contra a doença, sentiu muito a partida de mamãe. O sentíamos deprimido, como se faltasse um pedaço dele mesmo. Não se recuperou”, disse Wagner.
Do enlace, dois filhos (Wagner, geólogo que atuou por 36 anos na Petrobrás, casado com Rose; e Wainer, mecânico e eletricista como o pai, sucessor dele na tradicional auto elétrica, casado com Edna), e três netos (Danilo, Juliana e Mônica).
Maria Aparecida foi professora primária, trabalhou em várias escolas e se aposentou quando atuava no “Barão da Franca”. Richieri fundou e conduziu sua empresa na esquina das ruas Comandante Salgado e Monselhor Rosa, tornando-a referencial. Em 2005, passou a empresa ao filho Wagner.
“Durante o tempo da última internação de papai, passou pelo hospital um senhor que o havia reconhecido, e o cumprimentou, dizendo que em Claraval (MG), onde residia, ainda havia gente de outras épocas se lembrando do respeito que tinham por ele, seu trabalho e, especialmente, pela honestidade com que sempre o exerceu. Ficamos muito felizes com aquela manifestação espontânea de carinho e respeito. Demonstra que o se conquista pela prática do bem feito, permanece. Aliás, a característica principal do perfil de papai era sua genuína preocupação com o outro. Eu diria que ele foi um filantropo, na plena expressão da palavra”, disse o filho.“
“Os ganhos de um mecânico e uma professora nunca são altos. Fomos criados com simplicidade e amor desmedido. Nossos avós, Odoni Preda e Maria Antônia Vieira; Arcibéria Nogueira e Urias Antônio do Nascimento, tinham por hábito reunir os filhos para encontros semanais, os chamados ‘banhos de família’, e isso também ajudou a construir nossas personalidades. Papai e mamãe acrescentaram essa lição ao cotidiano deles e ao nosso. Agora, é suplantar a dor das perdas e prosseguir praticando o que nos ensinaram”, concluiu Wagner.
O velório aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Tedesco, foi realizado no Cemitério da Saudade, dia 19, 16 horas. Amanhã haverá missa por intenção da alma de Richieri, na Catedral Sé de Nossa Senhora da Conceição.
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