A ‘herança maldita’ deixada por Dilma


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A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) ainda encontra meios para externar sua opinião a respeito do presidente em exercício Michel Temer (PMDB). Órgãos de mídia simpáticos à administração petista ainda dão voz a quem, até hoje, não explicou os erros na condução da política econômica que travou o setor produtivo, estagnando a produção e causando o desemprego de mais de 11 milhões de brasileiros, além de causar a maior recessão da história do País. Ela não fala de seus erros que deixaram o Brasil numa situação caótica. O único que admite em entrevista à revista Carta Capital é que tentou fazer um ajuste fiscal enfrentando um quadro adverso, no início de 2015. Mas não explica a série de armadilhas que deixou no caminho de seu sucessor, criando uma “herança maldita” que joga contra o País e o governo interino recém-empossado.
 
Evitando falar novamente em ‘golpe’, por causa de interpelação do STF (Supremo Tribunal Federal), Dilma Rousseff prefere atacar um governo que ainda não colocou as cartas na mesa. Repete, sem qualquer pejo, de forma irresponsável, que Michel Temer irá acabar com as conquistas sociais das administrações petistas e com o Mercosul, cuja importância para o Brasil é “subestimada”, diz. Porém, o que se sabe sobre as medidas a serem tomadas ainda não passa de conjecturas. Quanto ao Mercosul, ele só serve aos governos bolivarianos (como Venezuela e Bolívia) e à política recessiva destes países. A falta de diálogo com os países da comunidade europeia e Estados Unidos tem deixado a indústria brasileira de mãos atadas, dependendo de um mercado interno cada dia menos receptivo.
 
Algo que a presidente afastada também precisa explicar são as diversas “bombas” que deixou para seu sucessor. Nos ministérios dos Transportes e das Cidades há bilhões de reais em despesas autorizadas sem os recursos em caixa para quitá-las. Antes de deixar o posto, Dilma resolveu dar uma última contribuição à irresponsabilidade administrativa: demarcou terras indígenas em áreas de conflito, concedeu reajustes salariais impagáveis, nomeou aliados para cargos de confiança, liberou verbas a aliados do governo e anunciou medidas que ela própria sabia carecerem de financiamento. Ministros encontraram a contabilidade quebrada, com milhões de reais em dívidas com fornecedores, obras atrasadas e um emaranhado de nomeações de militantes petistas para cargos de terceiro escalão. Embora acredite em seu retorno à presidência da República, Dilma Rousseff dificilmente retomará o comando do País por causa do estado em que deixou o governo: quebrado, engessado e, o que é pior, inflado para prejudicar o seu sucessor.
 
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