“Criei um projeto matemático perfeito sem fim e sem quebra. Foi feito através de orações e revelações vindas da parte de Deus para que tudo seja movido e administrado por ele. Aqui, todos terão os seus benefícios. Aqueles que acreditam terão o direito dessa grande benção que Deus tem nos proporcionado”. Assim, o pastor Cláudio Paino Calefe descrevia em sua página na internet o que chamava de projeto “Providência Tomada”. O mesmo argumento era usado para convencer fiéis na igreja e nas ruas do Jardim Aeroporto III. Segundo o Ministério Público e a polícia, o homem, que também se dizia empresário, não passa de um golpista. Teria enganado em torno de 50 pessoas. A estimativa de golpe é na ordem de R$ 2 milhões. A Justiça acaba de bloquear os bens do acusado. Ele desapareceu.
A tal empresa Providência Tomada vendia planos de investimento, prometendo uma série de benefícios, como cartões para ter desconto em lojas conveniadas, aposentadoria, auxílio funeral e, acreditem, estabilidade financeira (garantia para quem pagasse 12 meses de boletos bancários, considerado como uma participação nos lucros). Havia também a promessa de abertura de um minimercado por meio do qual os compradores dos planos seriam beneficiados com descontos diferenciados. “Ele bolou um sistema de captação de dinheiro inteligente. No início, nem achei que ele agia de má-fé, pensei que estava tentando ajudar mesmo. Só que logo após a audiência, em que ele prometeu acabar com o projeto e devolver o dinheiro, ele desapareceu. Foi quando concluí que estava diante de um caso sério de estelionato”, afirmou o promotor Murilo César Lemos Jorge.
Os clientes depositaram a sua confiança e, principalmente, o dinheiro na promessa pensando que estavam fazendo uma investimento financeiro correto e lícito. “A publicidade era enganosa, não só pela promessa de retorno financeiro fácil, como também pelo fato dos consumidores não terem acesso ao rol de empresas conveniadas. Ele usou o nome de Deus para enganar pessoas simples e se apropriou do dinheiro delas. Não entregou nada do que prometeu, estelionato puro”,
No mês passado, o promotor ingressou com ação na Justiça para impedir que o pastor continuasse vendendo planos da empresa e para que indenizasse as vítimas que compraram os serviços. A juíza Julieta Maria Passeri de Souza aceitou o pedido e decretou o bloqueio de todos os bens que forem encontrados em nome do acusado e da empresa Providência Tomada.
Chamado divino
Além do processo que responde na promotoria de Defesa do Consumidor, que culminou com o bloqueio de bens, o pastor também é alvo de inquérito criminal aberto pelo 4º Distrito Policial em abril de 2015 e que ainda encontra-se em andamento. Segundo o delegado Dalmo Mateus Polo, são pelo menos 50 vítimas.
O acusado chegou a prestar esclarecimentos na delegacia. Na época, ele disse que a Providência Tomada surgiu de um sonho. “Eu dormia, quando tive um chamado divino. Não faço para ganhar dinheiro, mas para ajudar as pessoas”. O golpe teria começado em 2012. Quando as primeiras vítimas começaram a procurar o Ministério Público e a polícia para denunciar, o pastor desapareceu junto com o dinheiro dos investidores.
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