‘Estratégia’ chama a atenção de todos


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Ao contrário do prometido após assinar o documento que determinava o seu afastamento da presidência da República, Dilma Rousseff (PT) está mais calada nos últimos dias, assim como os seus mais fiéis aliados. Nem a extinção do MinC (Ministério da Cultura) a fez quebrar o quase  mutismo dos últimos dias. Movimentos sociais e o próprio PT (Partido dos Trabalhadores) estão centrando suas baterias nos protestos de artistas contra a transformação do MinC em secretaria, os quais têm levado artistas a se manifestar nas principais capitais do País. Sem clima para continuar atacando o governo de Michel Temer (PMDB) que nem bem começou efetivamente, o PT e movimentos sociais acreditam que apoiando as manifestações poderão desestabilizar os novos comandantes dos destinos do País.
 
Porém, eles não contavam com a divisão na classe artística, com nomes expressivos como Fernanda Montenegro, Regina Duarte e vários outros apontando para o acerto da decisão. Somente no Brasil havia uma estrutura semelhante apoiando o financiamento de shows musicais, espetáculos teatrais e obras cinematográficas. Não há critério para a concessão da renúncia fiscal a empresas que preferem aliar seus nomes a ações de grande visibilidade, em detrimento de outras mais importantes, como a manutenção de museus, a proliferação de bibliotecas ou manifestações culturais populares. Estas sobrevivem, na maioria das vezes, por causa do esforço de seus protagonistas e de pequeno grupo de apoiadores.
 
Já o quase mutismo de Dilma decorre da manifestação da ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal) que, instigada por parlamentares, pede que a presidente afastada explique a razão de considerar o processo de impeachment como um golpe. O próprio Supremo já havia se posicionado a respeito, considerando o processo legítimo, ainda mais quando a própria Constituição Brasileira corrobora a tese de que a petista teria cometido crime de responsabilidade. Hoje, Dilma é apenas uma sombra daquela que prometeu lutar e resistir, ainda mais quando as diversas investigações sobre corrupção chegam bem perto dela e de seu principal mentor, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, além de alguns assessores mais próximos que, com seu afastamento, perderam o foro privilegiado. Agora é a vez de José Eduardo Cardozo, que a defendeu na Câmara e no Senado como advogado-geral da União e é alvo do seu sucessor na AGU, o qual considera que ele cometeu crime de responsabilidade. Como se pode ver, está difícil para Dilma — e o PT — se tornar antagonista do governo de Michel Temer, quando já esgotou todos os argumentos para retornar ao Palácio do Planalto.
 
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