‘Independente, nunca permitiu que a gente se preocupasse com ele. Queria que a gente estivesse focado em nossas próprias famílias'
Morreu às 6 horas do dia 19 de maio, em sua casa, o senhor João Ferreira Paulino. Tinha 80 anos. Embora forte por toda a vida, nos últimos anos enfrentou problemas de saúde, uma pneumonia mal curada dentre esses. 'Papai foi um homem completamente independente. Como residia em edícula localizada ao fundo da boa residência que construiu com mamãe - quis que fosse assim quando ela morreu, há oito anos - acompanhamos, de sua vida, só que ele permitia que soubéssemos. Quando o percebemos com grave crise respiratória, corremos com ele para o médicos. A pneumonia foi diagnosticada, mas o profissional que o atendeu não aprofundou o exame, não receitou o medicamento necessário, e ele piorou. Foi internado depois, mas ficou com sequelas. Sua boa saúde foi embora', disse sua filha Rosângela.
Uma das sequelas foi recorrente processo infeccioso, que causaria, mais tarde, insuficiência renal crônica. 'Nos últimos dez meses, teve que fazer diálise em casa - nós tivemos que aprender a técnica para auxiliá-lo - mas foi peno-so para ele para nós. Os resultados não apareceram e tivemos que levá-lo a nova internação. O caminho indicado foi o de sessões mensais de hemodiálise. Seu organismo acabou se rendendo, nos últimos dias, e nós o perdemos', disse a filha.
Estava viúvo da senhora Alice Valim Paulino. Tiveram casamento de 49 anos, cinco filhos (Regina, casada com José Luiz Torres; Régis, Regi-naldo, casado com Helenice; Rosângela, casada com Jaiter Duzzi; Ronaldo, casado com Solange), oito netos (Aline, Angélica, Juninho, Kelvin, casado com Aline; Rener, casado com Juliana; Denis, casado com Bruna; Maria Eduarda, Rafaella), e cinco bisnetos (Matheus, Davi, Júlia, Walison, Paulo Henrique).
O casal foi muito dedicado ao trabalho e à responsabilidade de criar bem os filhos. 'Papai atuou por 10 anos na Amazonas Produtos para Calçados. Em certo tempo, quando a construção civil tornou-se atrativa, ele se tornou pedreiro, para melhorar ganhos. Mamãe lavava roupas para fora. Conse-guiram nos dar vida digna, comprar um terreno e, nesse espaço, ele construir nossa boa casa. Orgulhavam-se do que fizeram, e nós nos orgulhamos deles', disse a filha.
Segundo Rosângela, os pais sempre forma incansáveis. 'Mamãe aprendeu a fazer picolés diferenciados e passou a vendê-los em casa. Formou boa clientela. Papai arranjou um carrinho e foi para a rua ampliar a venda. Deu tão certo que acabaram contratando vários picole-zeiros. Tudo o que ganharam, canalizaram para nós, em nossas necessidades'. Finalmente, aposentaram-se por idade.
'Mamãe morreu três meses após começar a receber sua sonhada aposentadoria. Para papai, foi o dia mais triste de sua vida. Ela não quis mais morar na casa que cons-truíram juntos. Ajeitou a edícula do fundo do terreno e passou a residir lá. Cuidava do que era dele, sozinho. Sua roupa, mandava lavar fora. Não queria, como dizia, nos incomodar. Só nos pedia que nos dedicássemos totalmente às nossas famílias. Ele gostava de beber, e mamãe sempre o tinha controlado. Podia ter se tornado alcoólatra, mas, pela memória dela, passou a frequentar a capela São Paulo, da Igreja São Benedito, que ela gostava muito. Sua força de vontade para o bem sempre nos conquistou', disse Rosân-gela.
Nos últimos anos, pé-de-valsa, João passou a frequentar clube da terceira idade. 'Ado-rava dançar. Lá, participou ativamente de todas as atividades, fez amizades novas, dentre elas, Hélia, gente boa que passamos a gostar. Ela foi sua principal companhia nos últimos meses, e nós a agradecemos pelo que se tornou para ele', concluiu a filha.
Velório aconteceu no São Vicente de Paulo. O sepultamento foi realizado ontem, dia 20, 9 horas, com serviços da Funerária Nova Franca, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.
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