Um ministério que não vai fazer falta


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Ao ser empossado na presidência da República, Michel Temer (PMDB) tomou uma medida que vinha sendo cobrada há tempos: reduziu para 22 o número de ministérios (que com Dilma chegou a impressionantes 39). Bastou extinguir o Ministério da Cultura, transformado em Secretaria ligada à estrutura do Ministério da Educação, para que muitos artistas (atores e cantores entre eles) passassem a fazer uma campanha sistemática contra o presidente interino, protestando e já antecipando um retrocesso que, a nosso ver, não tem a mínima chance de acontecer. Chama à atenção a visão distorcida de um grupo que acredita numa derrocada da cultura brasileira por causa da mudança.
 
Quem acompanha o assunto e que não tem maiores interesses nos benefícios que o Ministério da Cultura vinha concedendo a alguns poucos em detrimento da maioria dos artistas brasileiros, vê que a mudança de status da pasta não vai prejudicar a arte ou a concessão de subsídios, já que Michel Temer garante um aumento nas verbas da secretaria. O que se percebe com clareza é que, à parte reclamações, protestos e críticas, há os que consideram benéfica a mudança. E são estes que defendem uma política cultural que contemple não apenas os grandes nomes da cultura e da arte nacional. É preciso que chegue às periferias, aos grupos amadores de teatro e às diversas manifestações que não contam com a simpatia daqueles que, pelo menos na última década, transformaram o Ministério da Cultura num cabide de empregos e distribuidor de benesses. Só foram contemplados os que diziam amém à ideologia dos que se encastelaram no Planalto e pretendiam utilizar a corrupção num plano de poder que a Operação Lava Jato jogou no esgoto.
 
Nos últimos tempos, o Ministério da Cultura serviu apenas para conceder renúncias fiscais a empresas patrocinadoras de espetáculos de nomes consagrados da música, do teatro e até para programas da TV pública (aos quais ninguém assiste), enquanto uma série de outras manifestações País afora sobrevive graças ao esforço de artistas e promotores quase anônimos, que não contam com o apelo popular de artistas que levam grande público a suas apresentações. Embora não financiasse espetáculos, o MinC permitia a renúncia de parte dos impostos de empresas para destinar o dinheiro a projetos de reconhecido sucesso. Com isso, a receita de impostos encolhe e as verbas deixam de ser investidas em setores mais necessários, como Saúde e Educação. Caso realmente invista numa política nacional de cultura, beneficiando a todos os que a promovem em todo o País, indistintamente, a Secretaria de Cultura vai cumprir o papel que o Ministério não conseguiu executar.
 
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