Alexandre ignora lei e culpa polícia por arrastão


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Prefeito Alexandre Ferreira demonstrou desconhecer até o contrato da Expoagro, que exige segurança da organizadora da festa
Prefeito Alexandre Ferreira demonstrou desconhecer até o contrato da Expoagro, que exige segurança da organizadora da festa
“Segurança é responsabilidade da Polícia Civil e Militar, não é da Prefeitura. É responsabilidade deles garantir a segurança da população. O que a Prefeitura pode, e faz, é cobrar deles essa responsabilidade.” A afirmação foi feita pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), na manhã de ontem, após ser questionado sobre o arrastão na Expoagro, no último fim de semana. Mais de 250 boletins de ocorrência de furtos de celulares, durante o show de Wesley Safadão, foram registrados desde domingo.
 
A opinião de Alexandre contraria resolução da Secretaria Estadual de Segurança Pública. “Não cabe à PM realizar a segurança de um evento com fins lucrativos. A exceção ocorre apenas quando é realizado o recolhimento de uma taxa de segurança preventiva, de acordo com uma resolução da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. O que, neste caso, não foi feito até o momento”, afirmou, no início da noite de ontem, o major Marcus Alexandre Moraes de Araújo, coordenador operacional da PM. Para ele, houve problemas “graves” na segurança particular do evento. “Houve uma quebra da ordem pública impactante. A falha de segurança foi muito grave”, disse. 
 
As afirmações de Alexandre tiveram como alvo o vereador Daniel Radaeli (PMDB), que é delegado assistente da Seccional. Radaeli afirmou, durante a última sessão da Câmara, que houve falta de planejamento para a realização do evento e que o número de seguranças particulares no show de Wesley Safadão ficou “muito abaixo” do necessário. A Promotoria de Justiça investiga o caso (leia texto na página 5A).
 
“Houve falha de segurança gritante. Graças a Deus, ninguém morreu. Poderia ter acontecido uma catástrofe lá”, disse Radaeli. “Quando o vereador fala que precisa de segurança, ele é delegado, ele é a segurança na cidade e é ele que tem que dar a segurança para as pessoas, independente de ser um evento particular, ele recebe para isso. Ele tem inteligência e equipe para investigar, saber de onde vem essa quadrilha, o motivo dela estar aqui e o que ela vai fazer e se vai agir lá na frente”, rebateu o prefeito.
 
Alexandre disse que a empresa responsável pela organização da Expoagro neste ano, a Two Macarrão, também deve ser cobrada, mas voltou a defender a ideia contrária às normas do Estado. “A empresa tem que ser cobrada também, mas a responsabilidade é da Polícia Civil para não deixar ter roubo, furto, assassinato, isso é de competência da Polícia Civil e Militar”, completou.
 
Apesar das afirmações do prefeito, no contrato firmado entre a Two Macarrão e a Prefeitura, existe uma cláusula em que a empresa se compromete a realizar a segurança interna durante o evento, assim como nos estacionamentos, incluindo a apresentação de efetivo em número suficiente com relação ao público presente. Apesar de ter alvará do Corpo de Bombeiros para a lotação máxima de 22,2 mil pessoas, a PM estima que um público de 30 mil pessoas compareceu ao show no sábado. 
 
Novo plano
Ontem, o promotor de Defesa do Consumidor, Murilo Lemos Jorge, recebeu os relatórios finais sobre as ocorrências registradas na noite de sábado. Hoje, o novo plano de segurança para a festa deve ser discutido durante uma reunião com representantes das polícias Civil e Militar, Prefeitura, Two Macarrão e o Ministério Público (leia na Página 5A).
 
colaborou Priscilla Sales

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