Em quase toda esquina, há um traficante vendendo drogas. As ocorrências de roubo e furto não param de crescer. O arrastão de centenas de celulares na Expoagro causou pânico. Enquanto isso, uma moderna ferramenta de R$ 850 mil, que poderia ajudar a polícia a prevenir crimes e identificar os criminosos, está estacionada há um ano e correndo o risco de se deteriorar. Culpa da burocracia e morosidade do Poder Público.
Em julho de 2015, a Prefeitura ganhou uma central de monitoramento instalada em micro-ônibus para auxiliar nas ações de policiamento ostensivo. O veículo tem sete câmeras, uma delas que filma em 360 graus, dez monitores, impressora, cafeteira, frigobar, bebedouro, micro-ondas e banheiro.
A base móvel de videomonitoramento faz parte do programa Crack é Possível Vencer e foi repassada à Prefeitura pelo Governo Federal. Deveria funcionar como um centro de comando e controle, dando suporte tecnológico aos profissionais de segurança pública que acompanham, por meio dos monitores, as imagens captadas por câmeras de vídeo instaladas em pontos fixos de maior vulnerabilidade.
A ideia do programa é oferecer apoio ao policiamento em pontos de venda e consumo de crack e outras drogas. A central também pode ser deslocada para operar em eventos com grande concentração de gente, como a Expoagro.
Nem uma coisa nem outra. Desde que chegou a Franca, o “ônibus do crack” nunca saiu da garagem. Está parado no estacionamento da Secretaria de Saúde, a poucos metros do Parque “Fernando Costa”, onde ladrões furtaram cerca de 250 celulares durante o show de Wesley Safadão, no sábado. “Se a central estivesse operando, a polícia teria condições de identificar os ladrões e evitar o arrastão. Não é possível que um equipamento tão importante no combate à criminalidade esteja parado, enferrujando, por causa da incompetência”, afirmou o vereador Marcelo Valim (PSD).
O secretário de Segurança, Sérgio Buranelli, disse que a Prefeitura ainda não recebeu do governo federal o termo de doação do veículo, documento que é exigido pelo Detran para o licenciamento. “Não temos como fazer a documentação do veículo para que ele possa começar a trabalhar.”
A câmera speed, que filma em 360 graus, também não foi entregue. “Me parece que houve um problema na licitação feita pela União. Todos os ônibus entregues estão na mesma situação. Nenhum conseguiu fazer a documentação até hoje. Estamos tentando preservar os equipamentos eletrônicos, que são caros, mas não tenho dúvidas de que vai haver danos”, disse Buranelli.
Algumas Prefeituras, como a de Petrópolis (RJ), estão recorrendo à Justiça para garantir que os veículos possam ir às ruas.
O Comércio procurou o Ministério da Justiça, para saber o que impede a liberação dos ônibus, mas não obteve retorno. Em outubro, quando o jornal denunciou que a central estava impedida de circular, o Ministério informou que enviaria “nos próximos dias” toda a documentação necessária para a plena utilização dos veículos.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.