Não podemos nos enganar: as medidas que o governo Michel Temer (PMDB) deverá anunciar, nos próximos dias, serão drásticas e duras. Porém, necessárias para enfrentar a crise profunda que paralisou o País nos dois últimos anos e que não dá mostras de arrefecimento. O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já deixou claro que até o final do ano o desemprego, hoje pouco acima de 10%, pode superar os 11%, colocando mais um batalhão de trabalhadores à procura de colocação nos próximos meses. O simples fato de o governo admitir o aumento do desemprego já deixa claro que as intenções da equipe econômica de Temer são boas. Resta saber se tudo a ser feito não vai cair apenas no colo dos contribuintes, como ocorreu no início do segundo mandato da presidente (hoje afastada) Dilma Rousseff (PT).
Caso as despesas correntes, principalmente o peso da administração pública, não sejam cortadas, ficará bem claro que mais uma vez teremos que pagar pelo descontrole da economia. Cargos comissionados precisam sofrer um drástico corte, da mesma forma que a estrutura de ministérios, secretarias e autarquias. Os investimentos têm que ser repensados e, caso não sejam prioritários, devem ser reduzidos. O Brasil não pode mais sustentar obras e gastos que, no final das contas, não beneficiam a população. Verbas públicas têm que ser destinadas aos setores mais sensíveis, como Saúde, Educação e Infraestrutura, sem que se desviem para os escaninhos da corrupção ou para bolsos alheios, como vinha ocorrendo nos últimos anos. O brasileiro precisa sentir que não há intenção deste governo em manter o sistema que desviou bilhões de reais de estatais, ministérios e secretarias.
Sabe-se que, embora concorde com a necessidade da criação de um novo imposto, mesmo que temporário, para irrigar o caixa do Tesouro para reduzir o déficit público, Michel Temer deverá retirar do Congresso a MP da CPMF enviada por Dilma. Como se pode perceber, há uma boa vontade de realizar amplas discussões a respeito das reformas que vêm sendo cobradas há vários anos, como as da Previdência e Fiscal. A primeira é necessária, para que o rombo do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) não acabe por inviabilizar a Previdência Social, prejudicando milhões de aposentados, pensionistas e dependentes. A reforma fiscal também, para que se acabem com as distorções existentes hoje, onde quem ganha menos acaba arcando com a maior parte do cobrado. No Brasil tributa-se a renda e o consumo, num dos mais perversos sistemas do planeta, sem que o dinheiro beneficie a maior parte da população. É esperar e ver o que vem por aí.
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