Imóveis desocupados se multiplicam nos 4 cantos da cidade


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Imóvel vazio na avenida Dr. Ismael Alonso y Alonso: antes local abrigava uma loja que vendia materiais elétricos e hidráulicos
Imóvel vazio na avenida Dr. Ismael Alonso y Alonso: antes local abrigava uma loja que vendia materiais elétricos e hidráulicos
A instabilidade da economia brasileira e a incerteza quanto ao futuro têm provocado uma grande retração no mercado imobiliário de Franca. Não é preciso procurar muito para encontrar, em todas as partes da cidade, imóveis, especialmente os que antes eram ocupados pelo comércio, com placas de “aluga-se” ou “vende-se”. O prazo médio de desocupação, que antes girava entre um e dois meses, agora, de acordo com as imobiliárias, pode chegar até a um ano. 
 
Para o presidente da Abifran (Associação das Administradoras de Bens Imóveis de Franca), Ailton Lopes Soares, que conta com 26 imobiliárias que, juntas, representam 75% dos imóveis da cidade, o número elevado de imóveis desocupados está diretamente associado à insegurança da atual economia do Brasil. “A situação econômica brasileira desestimula qualquer pessoa a abrir um novo negócio. Na verdade, muitas portas estão sendo fechadas. É possível observar essa realidade no processo de recolocação no mercado de um imóvel, pois hoje o tempo para alugar novamente um ponto demora, no mínimo, o dobro do que demorava há um ano.”
 
Antes mais restrito à região Central da cidade, os imóveis desocupados estão espalhados por todos os bairros. Exemplos claros dessa nova realidade são as avenidas Dr. Ismael Alonso y Alonso e Dr. Hélio Palermo, onde é possível encontrar diversos imóveis desocupados, alguns desde o ano passado. 
 
Na Imobiliária AACosta estão disponíveis imóveis em várias partes da cidade. Segundo Rayne Oliveira, do departamento de locação, atualmente cerca de 150 pontos, entre barracões, salas e prédios voltados para o comércio, estão vazios. “O investimento para um ponto comercial é mais alto, por isso, acredito que esse setor tenha sentido mais a retração atual do mercado. As pessoas estão sentindo medo de investir. Em média, demorávamos entre 15 e 20 dias para alugar um ponto que era desocupado, hoje esse tempo varia entre três e seis meses”, disse ele.
 
“O cenário atual está complicado de uma forma geral, mas o mercado relacionado aos imóveis comerciais sofreu uma retração considerável, desde o ano passado. Os três anos anteriores haviam sido perfeitos para o setor, mas hoje as pessoas estão investindo menos e com medo de se arriscar. Temos, no momento, cerca de 30 pontos de comércio para venda e precisamos acreditar que os próximos meses serão melhores”, disse a gerente de vendas Michelle Encinas, da Teixeira Imóveis.
 
Depois de sentir um aquecimento nos meses de setembro e outubro do ano passado, o diretor da Parra Imobiliária calcula que a retração no setor chega a até 40% no caso de imóveis comerciais. “O cenário atual é um reflexo do desemprego, da falta de estabilidade e da desconfiança gerada pela economia brasileira. Atualmente é difícil investir em alguma coisa, pois é impossível saber o que pode acontecer nos próximos dias. Hoje temos aqui 122 imóveis disponíveis para a locação, isso somente relacionado aos comerciais. Há um ano eu não teria nem metade disso vazio. A relocação deles também tem demorado mais, entre seis meses e um ano”, disse Marcos Parra.
 
Expectativas
Apesar do cenário complicado e uma economia desacreditada, o diretor da AAgnello, Alexandre Agnello, está esperançoso com os próximos meses. “Vivemos realmente uma fase de retração intensa. Cresceu o número de rescisões de contratos e os inquilinos. Em contrapartida, cresceu a possibilidade de negociação e, em grande parte, os proprietários têm atendido aos pedidos dos locatários, uma vez que todos precisam se adequar a essa nova realidade.”
 
A entrada do presidente interino Michel Temer (PMDB) também é vista com otimismo pelo empresário. “Nessa semana já sentimos uma procura maior para a aquisição de propriedades, acho que a confiança pode retornar com esse governo que precisa mostrar um trabalho eficiente para conseguir se garantir e isso, tenho esperança, poderá refletir no setor”, completou o empresário. 

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