Nove meses depois da morte da bancária Rosane Berteli, 24, o crime segue sem punição. O comerciante Breno Helton Costa Rezende, 33, que teve a prisão preventiva convertida em domiciliar em março, segue em casa e sob cuidados médicos e da família devido ao tiro que deu na própria boca após matar a jovem. Porém, parece não se recordar do que fez e a Justiça pode interditá-lo por isso.
A informação de que Breno aparentemente não se lembra que matou Rosane e atentou contra a própria vida foi divulgada em um laudo do médico perito José Alberto Touso, solicitado para saber se ele pode ou não ser interditado. Os exames foram realizados duas semanas após o acusado ir para casa e foi protolocado ao processo no início deste mês pela advogada de Breno, Linda Johnlei Wu.
No documento, Touso afirmou que a memória do comerciante acerca do homicídio estava prejudicada. “Esboçou um semblante depressivo quando questionado se não se lembrava do fato, dizendo só saber do ocorrido pelo que lhe foi contado”, afirmou o especialista, que também examinou Breno quando ele foi levado para o CDP (Centro de Detenção Provisória), no ano passado. “Na ocasião, o paciente relatou não se lembrar da prática do crime, da posse ou de como conseguiu a arma, da intencionalidade do homicídio da namorada e também da tentativa de suicídio”.
Porém, de acordo com o médico, a memória remota de Breno continua relativamente preservada, já que, nas avaliações, ele se lembrou dos 35 dias que ficou internado no Hospital Regional antes de ir para o CDP.
Na instituição, conforme o relato da assistente social ao médico, o comerciante fazia a própria higiene pessoal e mantinha um comportamento adequado. Mas o mesmo não estaria acontecendo agora. Isso porque, segundo seus pais, Breno “tem de ser lembrado da hora de comer. No banho tem de ser orientado quanto ao uso de sabonete, higiene íntima e em tudo”.
Nas considerações finais, Touso afirma, em resposta ao Ministério Público, que o ex de Rosane não tem condições de responder por si próprio devido à perda de massa encefálica ao atirar na própria boca. “Este quadro o torna no momento plenamente incapaz para os atos da vida civil”, assinou Touso.
Hoje, às 11 horas, em uma clínica de Franca, Breno deverá passar por outro exame para saber se tinha consciência na ocasião do crime e se, atualmente, ele é capaz de responder por isso. Este documento pode determinar uma mudança no processo e, assim como os outros laudos já feitos, será levado em consideração na análise do homicídio.
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