Começa amanhã e vai até o dia 21, em Ribeirão Preto, a IV Bienal de Psicanálise e Cultura, promovida pela Sociedade Brasileira de Psicanálise daquela cidade. O evento representa a abertura de um espaço para receber vários setores da comunidade, propondo a discussão de um tema muito atual e inquietante. De acordo com Maria Aparecida Sidericoudes (Coordenadora da Comissão Científica deste Evento), “A Bienal segue uma tradição da Psicanálise, a de dialogar com a Cultura. Para a IV Bienal a Psicanálise escolheu como interlocutora a Tecnologia, pelo que esta, de modo tão vigoroso, vem modificando as relações humanas. Contemplando a possibilidade de uma reflexão mais ampla e profunda sobre o homem e a Cultura na contemporaneidade, outras disciplinas foram convidadas a participar deste evento, dialogando entre si e em conjunto. Assim, contaremos também com o olhar da Filosofia, da Comunicação, das Ciências Sociais, da Antropologia, da Educação, da Literatura e das Artes. Nestas, a dramaturgia, a fotografia e as artes plásticas contribuirão para alargar o pensamento reflexivo na direção da estética.”
Alguns questionamentos tornam-se essenciais neste momento de transformações tecnológicas: qual o efeito nas nossas vidas, do acesso rápido às informações? Está havendo condições favoráveis para a reflexão e expansão do pensar? Quais as consequências do predomínio da linguagem visual sobre a escrita? Nos relacionamentos interpessoais estamos mais conectados ou solitários? É preocupante observar em nossa sociedade aspectos narcísicos, com tendências a deletar diferenças e evitar frustrações.
Em síntese, nas palavras de Maria Aparecida Sidericoudes: “A questão central desta Bienal é o homem inserido na cultura tecnológica, o indivíduo, sua subjetividade, suas relações afetivas, familiares, sociais, de trabalho, de aprendizagem, e especialmente as relações terapêuticas, à medida que os instrumentos tecnológicos entraram de maneira tão decisiva na vida humana, alterando substancialmente o modus vivendi. Cada palestra do evento tratará deste tema por um vértice específico. Assim, pretendemos chegar ao final destes encontros senão com respostas à condição do indivíduo na atualidade, mas com uma maior consciência do viver.”
A experiência estética estará presente ao longo desta Bienal, através da exibição de charges, recortes de cinema, poema declamado, havendo também uma programação cultural com exposição de arte, lançamento de livro, revista e apresentação, na abertura deste evento, da Orquestra Jovem Alma (Academia Livre de Música e Artes).
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