“Dentro das circunstâncias de nossas vidas, nunca deixou que nos dar o essencial. Temos orgulho dele”
Morreu hoje, 17 de maio, às 8h30, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, o senhor José Eurípedes Pereira. Tinha 58 anos. De dois anos para cá, enfrentou pneumonias. Na terceira ocorrência, os médicos que o atenderam aprofundaram o diagnóstico e encontraram um câncer de pulmão. José Eurípedes enfrentou a partir dai — e foram 14 meses de luta intensa — incontáveis sessões de químio e radioterapia.
Nos últimos meses, organismo debilitado, também por problemas de coluna que José Eurípedes adquiriu como sequela de acidente de trânsito, recolheu-se à cama. “Minha irmã, Gisélia, técnica em enfermagem, deixou seu trabalho em hospitais e passou a cuidar dele, no que foi acompanhada por mamãe, ela que, mesmo separada dele, não deixou de acompanhá-lo até seu último momento’, disse o filho Júlio César.
Emocionando, ele se lembrou da vida dura que a família teve. “Papai era pedreiro. Algum tempo depois de casado, nascemos eu e, depois, Gisélia. Mamãe cuidava de casa, de nós e ainda fazia o que podia para ajudar na composição da renda familiar. Trabalhou com costura manual de calçados, vendeu produtos de beleza, foi faxineira na CPFL. Em certo momento, a convite, eles decidiram seguir para Santos (SP), em busca de oportunidades. Fomos todos”, disse Júlio.
A estada em Santos durou só alguns dias. Não havia, lá, as oportunidades que eles buscavam. “Retornar para Franca foi uma batalha. Meus pais não tinham dinheiro para passagens, alimentação, nada. Fomos para a estrada ainda assim. Pegamos carona, dormimos em albergues ou onde foi possível, recebemos ajuda de pessoas que nunca mais vimos e às quais somos, até hoje, agradecidos. Caminhamos muitos quilômetros. Tudo aquilo, ao invés de nos machucar, nos uniu ainda mais. Nunca nos esquecemos. Nosso sentido de família, que tem que estar unida na alegria e na tristeza, se fortaleceu. Finalmente chegamos a Franca, e aqui, vovô, pai do meu pai, nos agasalhou com tudo o que podia. Meu pai foi vender carnês do Baú e bilhetes de loteria. Quando precisou, trabalhou novamente de pedreiro”, disse o filho. José Eurípedes foi um homem simples. “Foi também, paizão amigo e companheiro. Dentro das circunstâncias de nossas vidas, nunca deixou que nos dar o essencial. Temos orgulho dele”.
Deixou, viúva, Rosângela Maria da Silva. Até à separação, foram 16 anos de casamento, quatro filhos (Júlio, técnico em telecomunicações e representante comercial da Seara, casado com a manicure Caroline; Gisélia, técnica em enfermagem, casada com o profissional de segurança patrimonial e curtumeiro Célio Coelho; Maicon, casado com Aline; David, pespontador, casado com Maísa) e nove netos (Juan, Júlia, Kauã, Adrian, Nicolas, Chisthofer, Ketlyn e duas Jenifer).
Velório tem espaço no São Vicente de Paulo. Sepultamento se será nesta quarta, 16 horas, com serviços da Funerária Nova Franca, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.
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