Prestes a completar um ano desde a sua inauguração, no próximo dia 23 de maio, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto acumula casos de demora no atendimento e falta de médicos. O último episódio, que culminou na espera, em média, de cinco horas por atendimento, foi registrado no domingo. Segundo pacientes e os próprios funcionários da unidade, um dos profissionais que deveriam atender no dia faltou e outro abandonou o plantão, após negar atendimento por estar “nervoso”. O terceiro médico, que deveria ter entrado às 19 horas, apareceu apenas duas horas depois, por volta das 21 horas.
Por pouco, a falta de médicos não terminou em tragédia, já que dois homens baleados no Jardim Aeroporto III foram encaminhados para o local. Sem atendimento, foi necessária a intervenção do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e da Polícia Militar, que os socorreu em estado grave para a Santa Casa (leia na Página 7A).
“Os funcionários nos disseram que um dos médicos pediu demissão de última hora e o outro, que está aqui, disse que está nervoso e só atenderá pacientes baleados ou esfaqueados. Estamos esperando há muito tempo, alguns estão aqui tem mais de cinco horas, nesta sala de espera. Isso é um verdadeiro absurdo. Onde já se viu não trabalhar por estar nervoso? Essas coisas só acontecem aqui”, disse Luana Pereira, uma das pacientes que aguardavam atendimento na noite de domingo.
Alguns dos pacientes, que lotavam a sala de espera da UPA, aguardavam desde as 17 horas por atendimento.
Segundo o vereador Marcelo Valim (PSD), que esteve no local após ser procurado por pacientes, os próprios funcionários confirmaram a ausência dos médicos e se disseram preocupados com a situação do local. Uns disseram que a culpa pelo atendimento precário tem caído sobre eles, que não sabem mais o que fazer.
Caso de polícia
A Secretaria Municipal de Saúde informou que a escala previa três médicos para o atendimento na noite de domingo, mas um dos profissionais faltou, o outro deixou o plantão e o terceiro chegou com duas horas de atraso. Além disso, foi registrado um boletim de ocorrência pelo “abandono” do plantão pelo médico. As causas do ocorrido também serão investigadas através de sindicância interna.
Histórico de problemas
Sem contratar funcionários específicos - servidores foram remanejados de outras UBSs (Unidades Básicas de Saúde) para atender no local -, a UPA do Aeroporto acumula reclamações sobre a falta de médicos e o atraso constante nos atendimentos. Em pelo menos quatro oportunidades, nos meses de outubro e novembro do ano passado, além de março e abril deste ano, o Comércio retratou o caos no atendimento, com pacientes chegando a esperar até sete horas para passarem pelos médicos. Em todas as vezes, a falta de profissionais foi apontada como o motivo do problema.
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