Morre Maria José Balduino


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Maria José Balduíno foi sepultada no Cemitério da Saudade, dia 15 de maio
Maria José Balduíno foi sepultada no Cemitério da Saudade, dia 15 de maio
Nos ensinou que nem toda a dureza da vida deveria nos revoltar, que o trabalho seria sempre o melhor caminho para enfrentar tudo'
 
Morreu ao meio-dia de domingo, dia 15, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, a senhora Maria José de Andrade Balduíno, aos 89 anos. Em primeiro de maio, acometida por AVC (Acidente Vascular Cerebral), foi internada na Santa Casa e lá permaneceu por três dias. Com sequelas de movimentos em um lado do corpo, precisou ficar retida na cama. 
 
'Mamãe, já com idade avançada e grandes dificuldades para readaptar-se, acabou sofrendo problemas renais. A levamos à UPA do Aeroporto, onde foi atendida com carinho e atenção. O diagnóstico, porém, foi de grave infecção urinária. A medicamos em casa, conforme determinação médica, mas ela não melhorou. No dia 8 de maio, Dia das Mães, voltamos com ela à Santa Casa. Foi semana muito difícil, mamãe piorando mais e mais já que, devagar, foi sendo vencido. Não suportou', disse sua filha Maria Ângela.
 
Há 20 anos, estava viúva do senhor Sebastião Balduíno. Tiveram, até à morte dele, 28 anos de enlace, dois filhos (Maria Ângela, manicure, casada com Flávio Serapião Ribeiro, escriturário da Usina de Laticínios Campo Belo, de Itirapuã (MG); e Edson Fernan-do, cozinheiro do ‘Noite Nossa', casado com Elizane). Dos casamentos dos filhos, nasceram cinco netos, Bruno, Rafael, Gabriel, Isabela e Lívia Fer-nanda.
 
'Meus pais nasceram em Patrocínio Paulista (SP). Casa-ram-se em Franca. Aqui, ele se empregou em Usina de Adubos, e ela, lavadeira, traba-lhou em casa, por muito anos, cuidando de peças de vestuário dos Irmãos Maristas de Franca, responsáveis pelo Colégio Champagnat. Infelizmente, papai, por causa do serviço, adoeceu com enfisema pulmonar. Acabou aposentado por invalidez', disse a filha. 
 
Segundo ela, com a doença do pai e consequente redução de ganhos, a vida da mãe mudou radicalmente. 'Mamãe teve que se superar, pegando mais serviço de lavação, para dar conta de tudo. Nunca, porém, a vi reclamar de nada. Cuidou de papai e de nós com energia sempre renovada. Ela era analfabeta, mas foi nossa mais melhor professora de vida. Quem a conheceu a respeitava por sua forma educada de se relacionar, e com ela fez ami-zade duradoura'.
 
Vários de seus amigos, sabedores de suas dificuldades, a auxiliaram a cadastrar-se em programa social de auxílio-pensão pago pelo governo. 'Houve tempo em que não tí-nhamos o que comer. As coisas melhoraram um pouco com as pensões de papai, que foi aposentado por invalidez, e dela. Quando ele morreu, de novo, problemas, mas ela nos ensinou que nem toda a dureza da vida deveria nos revoltar, que o trabalho seria sempre o me-lhor caminho para enfrentar tudo', disse a filha.
 
Os filhos cresceram, foram trabalhar e passaram a compor a renda familiar. 'Mamãe morava em casa no mesmo terreno onde moro. Minha família e a família de meu irmão, com os netos, estivemos, portanto, sempre perto. A acompa-nhamos com carinho e atenção, da mesma forma que fez com a gente. Será difícil esquecer do bem que nos queria e do bem que nos fez. Vamos passar adiante suas lições', concluiu Maria Ângela.
 
O velório de Maria José aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado no Cemitério da Saudade dia 16, segunda-feira, 16 horas.

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