Governo vai abrir ‘caixa preta’ petista


| Tempo de leitura: 2 min
O presidente interino Michel Temer (PMDB), na primeira reunião de seu ministério, sexta-feira, determinou um levantamento minucioso da situação financeira de cada área do governo federal. É a abertura da chamada “caixa preta” do governo petista. Temer não quer deixar passar nada e pretende anunciar a situação que encontrou. Ou seja, evita ser responsabilizado por qualquer rombo e irregularidade porventura herdados da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Especialistas acreditam que o pemedebista terá muito trabalho para encarar e driblar a crise, por causa de uma possível “herança maldita” que estaria sendo maquiada. Nos próximos dias, o resultado dos levantamentos de cada pasta deverá ser anunciado, ao mesmo tempo em que o presidente interino e sua equipe divulgam as medidas que serão tomadas, principalmente na área econômica.
 
A tarefa de contornar a recessão que assola o País não será fácil e deve ocorrer em longo prazo. Além de um déficit monumental, quem acompanha o funcionamento da máquina pública sabe que há diversos “esqueletos” que podem ser herdados da gestão de Dilma Rousseff. Como se trata de gastos desconhecidos até que sejam devidamente contabilizados, vivem no terreno das estimativas. Numa projeção conservadora, feita por especialistas de diferentes áreas, a conta pode passar de R$ 250 bilhões. Mas pode ser ainda maior. Em relatório, a agência de classificação de risco Moody’s estimou que, no pior cenário, a conta vai a R$ 600 bilhões. O que popularmente se chama de esqueleto, na literatura econômica é chamado de gasto contingente: despesa excepcional gerada por derrapadas na gestão da política econômica que fica escondida até que exploda ou que alguém jogue luz sobre ela. 
 
Para os especialistas em contas públicas, essa despesa tende a proliferar. As estimativas de gastos extras incluem eventuais capitalizações que o Tesouro tenha de fazer nas estatais Petrobras, Eletrobras e Caixa Econômica Federal, a negociação das dívidas dos Estados, que vão gerar perdas para a União, o risco de inadimplência com o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e a manutenção do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). São estes números que deixam clara a necessidade de que Michel Temer tome medidas drásticas para recuperar a economia do País e a saúde financeira do governo, como a privatização de empresas públicas, rodovias e aeroportos; concessão na prospecção de petróleo e demissão de servidores comissionados, além de um ajuste fiscal que vem sendo cobrado há anos. O governo precisa agir com muita coragem para que a economia volte a crescer e o setor produtivo a empregar. É isso que o brasileiro espera.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários