Busca por doações de cestas básicas triplica em Franca


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Fernando Campos, presidente da Aeaf, diz que a participação das entidades em eventos é uma alternativa para aumentar recursos
Fernando Campos, presidente da Aeaf, diz que a participação das entidades em eventos é uma alternativa para aumentar recursos
Os recorrentes cortes de vagas de trabalho e a elevação dos preços de produtos nos supermercados têm refletido no trabalho de igrejas e entidades assistenciais de Franca. Nos últimos meses, essas instituições passaram a registrar um aumento na procura por cestas básicas e, quase na mesma proporção, uma queda no número de doações de alimentos. São tantos os pedidos que muitos grupos precisam recorrer a recursos próprios para conseguir montar as cestas. Há casos ainda em que a quantidade de produtos entregues por cesta precisa ser reduzida para dar atender toda a demanda.
 
Na Paróquia Sant’ana, que abrange parte da região do Complexo Aeroporto, os pedidos encaminhados ao Domingo Fraterno (movimento responsável por atender famílias carentes) praticamente triplicaram no intervalo de um ano. Atualmente são montadas em média 60 cestas básicas. No mesmo período do ano passado, eram em torno de 20. “A procura cresceu muito e não temos condições de entregar mais. Todo dia tem família na igreja pedindo”, disse o coordenador Lacelis Ferreira Lima.
Entre os que recorrem à ajuda estão famílias desestruturadas, com parentes reclusos, desempregados ou doentes. Têm prioridade no repasse dos alimentos aquelas com crianças, idosos ou enfermos. Para que o atendimento aconteça também é necessário um cadastro e a realização de uma visita dos voluntários do Domingo Fraterno. “Sempre nos primeiros meses do ano registramos aumento na procura. São muitas famílias precisando e como as doações caíram, as cestas infelizmente não estão muito fartas”, lamenta Francisca Alves de Almeida, que coordena a distribuição de cestas na Paróquia Sagrado Coração, na região Leste da cidade.
 
Para poder atender o maior número de famílias, o Domingo Fraterno da Paróquia São Judas Tadeu, que atende bairros como Vila Raycos, Vila São Sebastião, Jardim Martins e Jardim Dermínio, precisou reduzir o tamanho dos kits de alimentos. Ao invés, por exemplo, de quatro litros de óleo são colocados apenas dois. Os cinco quilos de açúcar dão lugar a dois.
 
Segundo a secretária da Sociedade São Vicente de Paulo, Maria Aparecida Santana Nunes, diante da dificuldade em obter doações de alimentos para compor as cestas, muitos voluntários estão se unindo para comprar os itens que faltam. As doações são pedidas nas casas e nas portas de supermercados. “Não podemos esperar, por isso a gente junta as economias e compra o que falta. Só assim conseguimos atender todas as famílias”.
 
Reforço
Presidente da Aeaf (Associação das Entidades Assistenciais de Franca), Fernando de Oliveira Campos, diz que devido ao aumento na procura por ajuda, mais entidades têm recorrido a promoções e eventos para reforçar seus caixas e assim poder atender os pedidos.
Para explorar o estacionamento oficial da Expoagro, por exemplo, o número de entidades participantes aumentou de 12 para 18 neste ano. Dentro do parque, o total de entidades com barracas de alimentação saltará de oito da festa passada para 13 nesta edição. “Isso se dá devido a crise econômica. Todas entidades sentem e precisam se reinventar para tentar atender quem precisa”.

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