O alto valor da conta de energia elétrica deixou de ser problema para dois moradores de Franca recentemente. Com autorização da CPFL Paulista, eles decidiram investir e gerar a própria energia elétrica, a partir da luz solar.
As mini geradoras foram montadas no interior dos imóveis e têm permitido reduzir o gasto com o consumo. Em uma das moradias, a conta reduziu de 500 kw (quilowatts) para 150 kw, permitindo uma economia de até R$ 250.
A produção acontece por meio de placas de geração fotovoltaica (que transformam radiação solar em energia) instaladas no telhado. Parecidas com as de aquecedores, elas captam a energia do sol e jogam para um inversor que distribui a energia gerada para a rede elétrica. Um relógio medidor específico controla digitalmente a quantidade de energia produzida e aquela utilizada pelo imóvel.
O sistema tem regulamentação pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e toda a carga não consumida pela residência, acaba sendo disponibilizada para a distribuidora. “A micro geração beneficia os consumidores, que economizam na conta de luz, a sociedade, com a geração de energia limpa, e as concessionárias de energia, que passam a contar com mais energia no sistema, otimizando seus investimentos”, destacou Carlos Zamboni Neto, presidente da CPFL Paulista, via assessoria de imprensa.
O médico francano Semir Daher Filho sempre teve interesse pelo tema e o desejo de produzir energia limpa (que não lança poluentes na atmosfera), mas como o custo de instalação no passado se tornava inviável, o projeto acabava ficando de lado. No ano passado, com o aumento da tarifa da energia elétrica, ele viu a oportunidade de finalmente investir no sistema. “Anteriormente não compensava. Com o aumento da tarifa, o projeto se tornou mais viável e o tempo de retorno ficou menor”, disse Semir, que também ficou motivado pelo fato de ter um engenheiro que presta o serviço na cidade. “A facilidade de acesso pela empresa ser de Franca ajudou na minha decisão”.
O sistema
As placas, em um total de 20, foram instaladas no telhado de sua casa no Jardim Piratininga, juntamente com o inversor de frequência (aparelho que torna a energia gerada no painel fotovoltaico compatível com a rede elétrica e adiciona mais segurança ao sistema) e permitem uma economia considerável de energia. “O sistema montado foi projetado para consumo próprio. Se houver excedente, essa energia é jogada na rede e fica como bônus que pode ser utilizado posteriormente, durante o período noturno, dias nublados ou chuvosos por exemplo. Atualmente pago apenas a taxa mínima de disponibilidade de 100 a 150 quilowatts”, afirmou o morador. Antes, o consumo do imóvel era de 500 quilowatts. De acordo com a CPFL, para realizar a ligação de uma micro ou mini geração distribuída, o cliente deve acessar o site da empresa (www.cpfl
.com.br) e fazer o pedido. Os projetos serão, então, analisados e validados pela distribuidora. “Essa parte burocrática é a mais demorada e a instalação só ocorre com homologação. Depois também é feito um contrato e há uma série de exigências”, disse Semir, que instalou o sistema em julho do ano passado.
Antes do pedido, o consumidor deve montar um projeto junto com um engenheiro responsável que avaliará o tipo de sistema necessário de acordo com o consumo do imóvel. “O sistema visa atender consumidores residenciais e comerciais com energia cara ou que buscam pioneirismo e inovação para ganhar visibilidade”, disse o engenheiro Roberto Nunes Rocha Filho, que realiza o serviço no município. Ele destaca ainda a manutenção zero das placas e a possibilidade de financiamento do projeto que custa a partir de R$ 19 mil (um total de seis placas capazes de produzir até 200 kw). “O retorno é rápido, pois ocorre em um período de seis a oito anos e sua duração chega a 30 anos”.
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