A menos de três meses da realização da maior competição do planeta, a partir do dia 5 de agosto, a situação da segurança pública no Rio de Janeiro demonstra que as autoridades terão muito trabalho para proteger atletas e todos aqueles que deverão lotar os hotéis da capital fluminense para acompanhar a Olimpíada. Não há dia em que a imprensa deixe de exibir um confronto entre policiais e bandidos, principalmente nos chamados “morros pacificados”. Fica claro, a esta altura, que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), que chegaram a funcionar num primeiro momento, hoje estão totalmente ultrapassadas e não conseguem mais cumprir a sua principal função: inibir o crime nas maiores comunidades cariocas, como as do Alemão e da Penha. O secretário da Segurança, José Mariano Beltrame, precisa encontrar um novo caminho na luta contra o crime organizado — hoje, no Brasil, mais organizado do que qualquer aparato de segurança.
Por isso, torna-se imprescindível que a segurança pública seja vista como prioridade durante a realização dos Jogos Olímpico. Não basta um “acordo de cavalheiros” (?) entre a Secretaria Estadual de Segurança e os chefes do crime no Rio de Janeiro para uma trégua, como já foi feito em outras ocasiões. Do jeito que está a situação, parece que as autoridades fluminenses acreditam que esta seja a única saída para que o Brasil não se torne notícia negativa por causa de alguma ação criminosa. Ainda hoje, inocentes continuam morrendo vítimas de balas perdidas durante os confrontos diários entre policiais e traficantes. Enquanto os bandidos usam armamento pesado, de última geração, os agentes de segurança (à exceção de batalhões de elite) contam apenas com fuzis e revólveres ou pistolas.
É uma luta de David contra Golias. Mas, ao contrário da passagem bíblica, Golias continuará vencendo de goleada. Mais parece os 7 a 1 que a seleção da Alemanha aplicou sobre a Brasileira, na Copa de 2014, em Belo Horizonte. Enquanto o Brasil não conseguir vencer a batalha contra o tráfico, notadamente no Rio de Janeiro, não há qualquer possibilidade que venha a virar este jogo que lhe é amplamente desfavorável. Com área extensa, não existem ferramentas capazes de barrar o tráfico de drogas e armamentos pelas fronteiras secas, principalmente de países sul americanos produtores de maconha e cocaína. O que é apreendido dentro de nosso território é uma pequena parte daquilo que torna o crime organizado cada vez mais forte, com capacidade de superar em número e capacidade as polícias estaduais. A Olimpíada vem aí. Tomara que o Rio de Janeiro não seja alvo da violência urbana capaz de embaçar este grande e esperado evento.
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