Conversa comigo mesmo - Parte 3


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Você se lembra de algum político falar da reforma na previdência dos parlamentares? É de chorar, de chorar muito... Se falou, foi para encurtar tempo, aumentar rendimentos, tornar vitalícia para até a terceira geração, acumular aposentadorias, reivindicar pensões... Isso sem falar de sua dura jornada. 
 
Tenho vontade quebrar a TV ou o computador quando escuto discurso de parlamentares ou senadores. Falam aos berros enquanto a grande maioria conversa, outros andam, e alguns... dormem. O que esperar de uma trupe que não demonstra mínimo de seriedade, educação, mesmo sabendo que, efeito da tecnologia atual, todo o país, e até o mundo, os veem. Eu teria vergonha. No mínimo, vergonha. Com sinceridade, acho que acompanhar política no Brasil é causa de doenças. Cansei-me de pensar que um dia isso vai mudar. Você sabe qual o custo de um ilustre político na Republica Federativa do Brasil? Nem queira saber. Se for procurar na internet, veja também o mesmo custo em países sérios, e a infinita desproporção.
 
E o poder do voto? Dia destes vi o sr. Paulo Maluf apoiando o sr. Luís Inácio... Ficha limpa? Eu assinei, promovi, me esforcei, acreditei... Enfiaram a (p...) no (c...), diria o Sr. Lula! Maluf, que não pode sair do Brasil, procurado por mais de uma polícia Internacional, é um de nossos representantes!
 
Devo acompanhar a atividade de nossos parlamentares, ler todas as leis propostas, me posicionar. Está tudo na internet. O problema é que não sobre tempo para acompanhar tudo, ler sobre o que está sendo votado.Tenho que trabalhar. 
 
Para mim é como contratar um pedreiro. Acredito que ele fará a parede, seguirá o projeto do arquiteto, o cálculo do engenheiro. Se eu tiver que conferir o cálculo, realizar o projeto, aprumar a parede, contar os sacos de cimento, conferir a metragem da areia, será impossível trabalhar ou viver de alguma forma. Sem relação de confiança, sem ética, sem honestidade não se pode estabelecer relações de nenhuma espécie. Nossa crise não é política, nem econômica. Vivemos crise de valores, crise moral, crise existencial. Falta amor, falta amor... 
 
Vivi os últimos tempos da ditadura militar. Tive que desfilar com a escola no ‘sete de setembro, data tão festiva, é a independência dessa terra tão querida’. Um dia, minha professora de Geografia citou frase do presidente João Batista Figueiredo: ‘Tenho nojo do cheiro de gente, prefiro o cheiro dos meus cavalos’. Fiquei triste, me senti desprezado pela autoridade máxima de minha terra. Engoli seco. Esperei mudanças. Hoje, tenho medo de dizer que prefiro o cheiro dos cavalos ao fedor dos políticos de nossa terra!
 
Naquela época eu via bandeira do Brasil com o dito ‘Ame-o ou deixe-o’. Quando acabou a ditadura podíamos brincar: ‘Quem sair por último apague a luz!’. Hoje, desconfio, não conseguiremos apagar a luz porque o apagão é uma ameaça, o interruptor foi roubado, no buraco com fios expostos o risco de choques é grande, os ‘gatos’ se multiplicam. Segundo eles, os políticos, tudo será resolvido, já que próxima licitação fraudada já está tramitando, os pedágios para pagar as contas já foram concedidos, a placa com o nome do político já está sendo confeccionada... 
 
Nem quero saber o preço, mas dirão, custará muito pouco se comparado aos milhões da plaquinha do interruptor que tinha garantia de funcionamento  por três semanas seguidas...
 
Não sou profeta do apocalipse... A saída é certa! O Brasil tem 17 aeroportos internacionais! Em um deles deve ser possível embarcar. 
 
É claro que, ao desembarcar, corre-se o risco de topar com algum louco do Estado Islâmico. Reze, e ainda assim, creia no amor. (PJR)
 
 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br

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