Imóveis desocupados viram 'lar' de andarilhos em Franca


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Imóvel, na avenida Hélio Palermo, foi transformado em ‘república’ e hoje é moradia de vários andarilhos: tem móveis e decoração
Imóvel, na avenida Hélio Palermo, foi transformado em ‘república’ e hoje é moradia de vários andarilhos: tem móveis e decoração
Não é preciso andar muito para encontrar pessoas morando nas ruas de Franca. Em toda parte, seja em praças, viadutos e até mesmo calçadas, é possível observar indivíduos vivendo em condições precárias e transformando esses espaços em moradias. Com o aumento da população de rua e a falta de vagas em abrigos, os imóveis abandonados têm se transformado em uma saída para aqueles que buscam fugir do frio e se aproveitam para invadir os locais.
 
Com uma barraca e um colchão, poucas peças de roupa, uma mochila, sapatos e uma pasta de dente, um casal, que veio de Catanduva (SP), vive há quatro meses no alpendre de uma casa na rua General Carneiro, em frente à Escola Industrial, no Centro da cidade. 
 
Dependente químico há anos, o operador que se abriga no local afirma ter ocupado a casa para se proteger do frio. Junto com a mulher, ele dorme todas as noites em uma barraca e luta para abandonar o vício em drogas. “Decidi sair de casa para não acabar tirando o pouco que a minha mãe tinha. Tenho 36 anos e há mais de 20 sou usuário. Sem emprego, a rua se tornou a minha única saída. Estamos aqui sem causar problema para ninguém, somente vivendo um dia de cada vez”, disse.
 
De acordo com comerciantes da região, que pediram para não ter o nome divulgado, o cheiro forte de urina e fezes e a mendicância são fatores que acabam incomodando quem trabalha e vive na região.
 
“É triste. Sabemos que eles, na maioria das vezes, não estão nas ruas por opção. É um vício, um abandono, são tantos motivos que fica difícil dizer, mas o odor e o hábito frequente de pedir dinheiro acaba amedrontando as pessoas e prejudicando todos por aqui. É um problema sério e a Prefeitura deveria se preocupar e encontrar uma solução para que eles tenham dignidade.”
 
Situação parecida é encontrada na avenida Dr. Hélio Palermo, na Vila Nossa Senhora das Graças: um prédio, ao lado da Delegacia da Mulher, onde antes funcionava um espetinho, foi transformado em uma república. Com sofás, camas, mesa e até decoração, o local abriga, de acordo com vizinhos e comerciantes, cerca de dez moradores de ruas há mais de oito meses. Sem água e energia, as necessidades são feitas ao ar livre e o lixo se acumula pelos cômodos e também fora do prédio. 
 
Em outro ponto da cidade, na rua General Osório, o proprietário de uma casa teve de colocar grades para evitar que andarilhos continuassem vivendo no local. Durante meses, eles se abrigaram na residência. Com a instalação das grades, eles deixaram o prédio e foram buscar abrigo em outro ponto.
 
Outro lado
A Prefeitura informou, por meio de nota, que dispõe de um serviço de abordagem social que orienta e encaminha as pessoas em situação de rua para os serviços do Centro Pop e Abrigo Provisório. Afirmou que “todos os anos, nesta época, ocorre aumento da demanda espontânea em razão da colheita de café e dos noticiários de existência de vagas de trabalho na cidade, fluxo que deve ser normalizado no segundo semestre”.

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