Dispendiosa e ruim


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Lamentavelmente o Brasil convive, e não é de agora, com obras superfaturadas que sangram os cofres de empresas públicas, municípios, Estados e da própria União. A ‘Operação Lava Jato’ apenas confirmou o que todos já sabiam: O Brasil é pródigo em obras superfaturadas, tanto que estudos realizados demonstram que o metro quadrado construído pelo poder público brasileiro chega a ser quatro vezes mais dispendioso que o pago pela iniciativa privada.
 
Reconhece-se que o fato não pode ser atribuído apenas à corrupção. Outros fatores contribuem fortemente para o descalabro, tais como o desperdício e a estrutura burocrática do Estado, que dilui os recursos até que ele chegue ao seu destino.
 
Para muitos, a cura desse câncer não é tarefa fácil de ser alcançada, pois, infelizmente, ela está enraizada em nosso meio desde o período colonial. O fato novo é que, agora, temos de conviver com a péssima qualidade das construções edificadas com recursos públicos.
 
Sim, são incontáveis as unidades residenciais do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ que, precocemente, vêm apresentando problemas estruturais, trazendo dissabores aos adquirentes, pessoas de baixa renda.
 
Em Belo Horizonte, um viaduto desabou antes mesmo de ser inaugurado. No Rio de Janeiro, ciclovia que foi aclamada como obra que muito orgulharia os cariocas, não resistiu à ressaca do mar e ruiu. Não foi apenas dinheiro jogado fora. Houve vítimas fatais!
 
Alguns tidos ‘legados’ dos jogos Pan-Americanos e da própria Copa do Mundo, inclusive arenas esportivas dispendiosíssimas, já apresentam graves problemas estruturais e de materiais, o que obrigará a novos e generosos investimentos para as necessárias correções. Destaca-se o estádio ‘Engenhão’ com graves problemas na cobertura.
 
Tal realidade deve deixar o saudoso Oscar Niemeyer, mito da construção civil, perplexo e triste com o país que ajudou a construir.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca

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