Morre Nelson Valente


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'Papai nos construiu perto uns dos outros, partícipes das alegrias e das tristezas da vida de cada um de nós' 
 
Morreu às 4h20 de ontem, dia 11 de maio, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional de Franca, o senhor Nelson Valente. Tinha 80 anos. No domingo, Dia das Mães, família inteira reunida em sua casa para mais um dos habituais finais de semana de confraternização que sempre viveram, Nelson foi acometido por AVC hemorrágico. Imediatamente socorrido e ainda se esforçando para manter a consciência, foi le-vado ao hospital. Chegou, porém, inconsciente ao atendimento de urgência . O estado de coma que o atingiu persistiu até a madrugada de ontem, quando sobreveio a morte. 
 
Deixou, viúva, a senhora Elvira Alves Valente, depois de 54 anos de casamento. Do enlace, três filhos (Nilsa, pedagoga, casada com o corretor de seguros João Donizete Mendes; Nelson Júnior, professor de Educação Física, casado com Regina; Eduardo, advogado, casado com a fonoaudióloga clínica Gil-mara), e três netos, Luísa, Luís Felipe e Gabriela.
 
'Tinha menos de dez anos quando insistiu em auxiliar seus pais na lida da vida. Adquiriu muito cedo a visão de que o trabalho é que cons-trói os homens de bem. Sonhava em ser bancário. Jovem, inscreveu-se para concurso público de ingresso no Banespa - Banco do Estado de São Paulo, foi aprovado e construiu na instituição, bri-lhante carreira. Aposentou-se na instituição. O que ganhou, investiu tudo na sua família', disse o filho Eduardo.
 
'Papai fez dessa dedicação ao trabalho, e do respeito às pessoas, seu legado. Devo-tado à família, nunca deixou que nada faltasse, seja mate-rial ou espiritualmente. Quis que tivéssemos boa formação escolar e nos apoiou em todos os momentos. Sua boa índole e preocupação com o outro também foram valores que praticou por toda a vida. Às vezes, o víamos pensando em amigos que atravessavam problemas. Não desistia enquanto não ajudava, e para valer', disse Eduardo.
 
Nelson conseguiu enraizar estas suas virtudes, no espírito de quem o conheceu, especialmente na família. 'Não houve um único domingo, desde que nos entendemos por gente, sem a reunião costumeira dos domingos. Era o dia mais feliz da semana. Sempre alegre, papai comandava a festa, e mamãe se preocupava com o restan-te. Sua saúde dispensava a-presentações. Nunca teve um único problema físico', disse o filho.
 
No Dia das Mães deste ano, não seria diferente. 'Está-vamos todos junto e o dia prometia. Era a repetição de nossos encontros semanais, era o dia de homenagear mamãe, e era dia do aniversário de minha filha, Gabriela. Papai estava felicíssimo. Pediu-me para que abrisse uma garrafa de vinho para comemorar nossa família. Falamos de tudo, inclusive de seu São Paulo, time de seu coração. De repente, o AVC. Foi muito difícil aceitar. Nós o perdemos naquele momento, pois não voltou mais à consciência', contou Eduardo.
 
Elvira, mulher de fé, apesar da dor, permaneceu firme. 'Os dois não viveram 54 anos juntos por acaso. Um completava o outro. Ela, agora, apesar da perda e da saudade imensa, prosseguirá firme. Continuaremos muito próximos, porque foi assim que papai nos construiu, perto uns dos outros, partícipes das alegrias e das tristezas da vida de cada um de nós. Então, não mudaremos nada. Continua-remos honrando seus ensinamentos e seguiremos, como ele gostaria que fosse', concluiu o filho.
 
Velório ocorre no São Vicente de Paulo. Sepul-tamento, com serviços da Funerária Nova Franca, acontecerá hoje, 9 horas, no Cemi-tério Parque Jardim das Oliveiras.

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