Em 1992, primeiro presidente eleito por voto popular após o fim da ditadura, Fernando Collor de Mello sofria um processo de impeachment que culminou na cassação de seu mandato. O seu vice, Itamar Franco, que tinha pela frente um grande desafio diante da inflação crescente e dos resultados da política econômica adotada pelo governo, assumiu o posto e conseguiu transformar todo o quadro de crise verificado então, chegando à criação do Plano Real, que trouxe de volta a estabilidade econômica que o País reclamava. Vinte e quatro anos depois, milhões de brasileiros vivem nesta quarta-feira a mesma esperança: que o Senado aceite o relatório da comissão formada para julgar o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e que seu vice, Michel Temer (PMDB), a suceda com o mesma competência de Itamar Franco e consiga dar a volta na crise, retome a estabilidade e faça nossa economia voltar a crescer.
Hoje, vivemos uma grave recessão, com inflação em alta, desemprego recorde e retração na atividade econômica. Michel Temer, que toma posse após o afastamento de Dilma (por 180 dias, período em que o Congresso irá se definir ou não por sua cassação),parece reunir todas as condições de trazer de volta a confiança perdida, não só pelos brasileiros, mas também pelos investidores internacionais. Há um único receio: que a necessidade de distribuição de cargos no ministério e nos mais graduados escalões da administração pública, em busca de apoio parlamentar, crie as mesmas situações ocorridas nos governos petistas. Se Temer souber trabalhar — ele tem muito mais habilidade política do que Dilma Rousseff — tem todas as condições de repetir Itamar Franco, que também precisou conseguir apoio no Congresso para levar à frente os seus planos.
O afastamento de Dilma, dado como favas contadas, pode ser o impulso que o Brasil precisa para sair do atoleiro que em que a petista o meteu. O País precisa recuperar a confiança e não existe nada mais positivo do que a troca de comando da política econômica capaz de realizar as reformas necessárias para a retomada do crescimento. Só assim, com o corte de despesas e um freio na gastança e no desvio de dinheiro dos cofres públicos, é que o País voltará a crescer. E tudo isto vem sendo prometido pelo futuro ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Resta saber se estas ações serão mesmo implementadas ou não passam de factóides para dar a Michel Temer um cenário positivo em seus primeiros dias no Planalto. O Brasil necessita de mudanças, reformas e instrumentos capazes de acabar com a corrupção. Um novo governo pode ter as chances de conseguir. Os brasileiros esperam ansiosos para conhecer as verdadeiras intenções do peemedebista.
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