“Embora nossa vida tenha sido difícil e sofrida, será muito difícil esquecê-lo”
Morreu às 11 horas de hoje, dia 10, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, o pedreiro Eurípedes Claudino de Oliveira. Tita, como era conhecido, tinha 53 anos. Vítima do alcoolismo, foi atendido no PS “Álvaro Azzuz”, no início da noite de ontem, dia 9, e lá aguardou vaga para internação na Santa Casa. Às 22 horas, foi transferido. Durante a noite, totalmente vencido por cirrose hepática, enfrentou falência múltipla de órgãos. Morreu ao final da manhã.
Deixou, viúva, a senhora Fátima Ramos de Oliveira, depois de 30 anos de casamento e um filho, Gledson. “Minha irmã e ele se gostavam muito. Casaram-se e foram felizes à maneira deles, apesar do álcool ter tirado de Eurípedes toda a capacidade de continuar sendo o mesmo homem do início do casamento”, disse Valentina, irmã de Fátima.
Residiam em propriedade dos pais de Fátima - o sr. Vicente Ramos, viúvo de d. Maria das Dores Barbosa Ramos. “Meu marido, à medida em que o vício avançava, deixou de trabalhar. Ainda assim, não deixava de voltar para nossa casa, todas as noites. Sabia que por detrás das tristezas da bebida, continuava ali o homem com quem casei”, disse Fátima.
No dia e momento exato da morte do marido, ela estava na Santa Casa com ele. “Segurou minha mão e disse que Jesus o estava chamando. Chorei muito. Eu e ele sempre estivemos perto. Pedi-lhe muito, e durante muito tempo, que deixasse a bebida, mas sempre soube que não tinha jeito disso acontecer. Quando ele morreu, senti uma mistura de alegria e tristeza, alegria porque sabia que ele finalmente iria encontrar a sobriedade, e tristeza porque fiquei sem meu companheiro de tantas alegrias e de dificuldades, já que as dificuldades também ensinam”, disse, emocionada, sua viúva.
“Minha irmã foi valente e guerreira. Teve oportunidades para deixar de lado o sofrimento, mas nunca quis se separar. Piorou quando ele deixou de trabalhar. Ela, que havia sido excelente enfachetadeira de saltos trabalhando na indústria de calçados Pestalozzi, se tornou ‘do lar’ quando se casou. Teve que voltar a se empregar, e aí como faxineira para fazer frente às despesas da casa. Felizmente encontrou família que já a emprega há doze anos”, disse Valentina.
“Nunca tive razão para me separar de Tita. Ele nunca levantou a mão para mim ou para nosso filho. Embora nossa vida tenha sido difícil e sofrida, será muito difícil esquecê-lo”, concluiu Fátima. O velório de Eurípedes se realiza no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, será realizado às 10 horas de amanhã, no Cemitério da Saudade.