Grupo monta 'acampamento' em calçada na Vila Gosuen


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Homem dorme em calçada dentro de ‘acampamento’ montado próximo ao Abrigo Provisório; pedestre é obrigada a andar na rua
Homem dorme em calçada dentro de ‘acampamento’ montado próximo ao Abrigo Provisório; pedestre é obrigada a andar na rua
A cada dia, mais o aglomerado de moradores de rua na Vila Gosuen, especialmente na avenida Dom Pedro I, próximo ao Abrigo Provisório, tem gerado a revolta dos vizinhos. Inconformados com a situação que se arrasta há anos, eles relatam o uso frequente de drogas, cenas de sexo em plena luz do dia, brigas, mendicância, além da transformação de muitos trechos em verdadeiros banheiros a céu aberto. 
 
Em uma espécie de acampamento, colchões, cobertores, panelas, roupas e até mesmo um fogão estão espalhados pelas calçadas. Segundo comerciantes e os vizinhos, a cada dia, o número de pessoas que utilizam a região como moradia cresce e os problemas se multiplicam.
 
“A situação está insuportável. Eles brigam, atormentam nossos clientes, ficam pedindo dinheiro o tempo todo e isso tem prejudicado inclusive as minhas vendas. O cheiro de urina e fezes é outra coisa complicada de suportar. Alguns, em diversos momentos, chegam a nos ameaçar. Temos medo do que pode acontecer e não sentimos retorno das autoridades”, disse um comerciante que pediu para não ter o nome divulgado.
 
Morando na região há pouco mais de um ano e meio, a auxiliar de escritório Liliane Rufato, de 33 anos, tem sofrido constantemente com a situação. Mãe de um menino de 4 anos, ela precisa se arriscar diariamente caminhando na rua, já que a calçada está completamente tomada pelos objetos. Cansada, ela afirma não saber mais a quem recorrer para solucionar o problema.
 
“Já tentei todas as formas possíveis para solucionar esse problema. A cada dia, cresce o número de pessoas que ficam aqui, depositadas nas calçadas. Na semana passada, depois de muito tormento, meu marido pediu pelo menos para eles saírem da frente da minha residência. Todos os dias preciso caminhar pela rua com o meu filho, correndo risco, porque não tem espaço na calçada”, desabafou.
 
Uma das mulheres que moram na calçada relatou que a falta de vagas no Abrigo Provisório complica mais a situação. “Ficamos aqui, porque não tem onde ficar. O Abrigo está lotado e nos alojamos por aqui mesmo.”
 
Em paralelo à preocupação com a própria segurança, os vizinhos relatam a tristeza por presenciar pessoas vivendo em condições tão precárias. “É lastimável, independentemente de como eles nos atrapalha. Sabemos que muitos caíram no vício e acabaram nas ruas, mas é preciso alguma ação para ajudar essas pessoas e reverter esse quadro”, disse uma vizinha.
 
Outro lado
O Abrigo Provisório, segundo a coordenadora Elisângela Oliveira, conta atualmente com 80 vagas. Destas, 65 são para homens e 15 para mulheres. Apesar disso, somente 5 mulheres atualmente estão no abrigo. “Infelizmente, muitas optam por continuar na rua, seja pela falta de vaga para o parceiro, pelas regras que temos, como tomar banho e não utilizar drogas, ou até mesmo pelo vício.”
 
Ainda segundo a coordenadora, existe uma fila de espera de moradores, mas o local já está com sua lotação máxima. “Quando recebemos essas pessoas, trabalhamos para reinseri-las na sociedade e no âmbito familiar. Estamos com a capacidade total de atendimentos. Com a estrutura atual, não conseguimos receber mais moradores de rua”, completou.
 
A Prefeitura não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta edição.

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