Nova estripulia do meninão mimado


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Mesmo quem não conhece intimamente o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) consegue traçar o seu perfil, somente baseado nas decisões que o chefe do Executivo francano tomou nos três anos e quatro meses de seu mandato. Não é difícil perceber que, acima de tudo, o prefeito francano carrega consigo um viés autoritário, agindo de forma autocrática em todos os momentos de sua administração. Faz ouvidos moucos aos conselhos sensatos de seus auxiliares, preferindo ouvir aqueles que, bajuladores, traçam um desenho irreal de sua atuação e dos rumos de seu mandato. Crê-se infalível, competente e capaz. Assim como a presidente Dilma Rousseff (PT), a poucos dias de ser afastada da presidência da República, considera-se um ser incompreendido, perseguido por todos. De suas estripulias não poupa nem o partido que preside, conforme registrou o Comércio em sua edição de sexta-feira.
 
Alexandre Ferreira, depois de ser derrotado nas prévias do PSDB pela indicação como candidato à reeleição, demitiu 12 comissionados pelos quais se considerou traído e resolveu fechar a sede do diretório municipal tucano sem consultar os seus pares. Retirou máquinas e móveis, encaixotou outro tanto e passou a chave na porta. Diante da repercussão, convocou a imprensa para desmentir o fato, o que se tornou impossível diante da situação em que a imprensa encontrou o prédio do diretório. E o que é pior: escalou para explicar a situação seu assessor para assuntos legislativos, uma figura estranha ao ninho tucano uma vez que pertence a outra agremiação partidária. Suas atitudes, que o levaram a ser alvo de investigações do MP e da Justiça do Trabalho, culminaram com uma das maiores rejeições de um homem público na história política francana.
 
Alvo de uma Comissão Processante na Câmara Municipal que pode lhe cassar o mandato, Alexandre Ferreira respira um pouco diante da liminar que conseguiu junto à Justiça para barrar o processo. Mas o presidente do Legislativo, Marco Garcia (PPS), promete recorrer junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo para retomá-lo. Como se pode ver, o prefeito, enredado em uma série de irregularidades e ilegalidades cometidas sob sua chancela, pode deixar a Prefeitura antes do fim do mandato, em dezembro. Ele, que não vê problemas na sua administração e que se considera incompreendido, terá muito tempo para refletir sobre seus atos e tomar ciência de que nenhum ser humano se basta. Quem não aceita colaboração e se crê autossuficiente não sobrevive. Dilma Rousseff — a quem, guardadas as devidas proporções, Alexandre repete atitudes e personalidade — vive o mesmo dilema e pode ser defenestrada já nesta semana.

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