Eleita por unanimidade a presidente do Conselho Deliberativo da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), a empresária Sílvia Alonso y Alonso Bittar Cunha, 51, é o que se pode chamar de mulher multifacetada. Paralelamente ao seu trabalho junto à entidade septuagenária, ela ainda é diretora executiva do laboratório Hormolab, sócia-diretora da empresa Empório das Lixeiras, professora universitária em cinco cursos diferentes e ainda encontra tempo para se desdobrar entre um sem número de atividades pessoais.
Casada há 32 anos com o médico Wilson Cunha Júnior eles são pais de três filhos entre 27 e 30 anos -, Sílvia se graduou em administração de empresas pelo Uni-Facef, fez mestrado em gestão empresarial pela mesma instituição e desenvolveu o que chama de paixão por esse tema.
Neta de um dos homens mais conhecidos de Franca - o ex-prefeito e médico Ismael Alonso y Alonso, que também batiza uma das avenidas mais movimentadas da cidade -, ela carrega no sobrenome a tradição de uma família empreendedora. Ainda muito jovem, ela imergiu no mercado de trabalho ajudando o pai na tradicional loja Casa Única, de decoração e utilidades domésticas, que pertenceu à sua família por 50 anos.
O segredo para conseguir dar conta do recado, segundo ela, é organização e disciplina, cronometrando o tempo em cada atividade, delegando responsabilidades e não tendo medo do trabalho. “É uma rotina intensa, mas é possível de ser realizada (...), não sou simpatizante do ócio”, afirma.
Confira o bate-papo com a empresária na entrevista abaixo, concedida na sede da Acif, de onde ela delega as ações de sua mais nova função.
Como foi a sua inserção no mercado de trabalho e o início do desenvolvimento de sua vida profissional?
Minha família sempre teve comércio, sempre gostei de estar com pessoas, sempre gostei muito da área de vendas e tinha o hábito de ajudar meu pai na loja (da família) durante as férias. Quando optei por fazer administração, passei a atuar no setor administrativo da empresa. Em 1986 me tornei sócia do meu pai e ficamos juntos até 1997. Aí chegou um momento em que, já bem interessada na área (de gestão), comecei a trabalhar no setor de gestão de saúde e busquei fazer um mestrado. O setor da saúde era muito desconhecido para mim e eu precisava buscar informação. Fiz o Empretec primeiro e depois o mestrado. Essas duas situações me despertaram ainda mais interesse e comecei a participar de congressos, sempre na área em que atuo de medicina laboratorial, fui me dedicando e hoje realmente domino a área de gestão.
Como começou a sua atuação no laboratório de análises clínicas? Para que o leitor tenha uma dimensão do que é o Hormolab, hoje o laboratório realiza quantos tipos de exames?
A gestão na área de saúde é uma coisa nova. Quando comecei, os profissionais responsáveis pela gestão eram os próprios médicos e profissionais que não tinham a parte administrativa em sua formação. Então foi legal que, apesar de ser um setor que não era minha formação propriamente dita, é um negócio que também precisa de gestão. É uma empresa que lida com todos os processos administrativos. Foi isso que me encantou. Como a gestão do setor de saúde é algo relativamente novo, pude crescer junto com o desenvolvimento dela. Temos uma carteira de mais de 2 mil tipos de exames, e isso está aumentando cada vez mais. São novas tecnologias e não há fronteiras. Como temos grandes parceiros, mesmo procedimentos que não são realizados no Brasil, são possíveis de ser feitos aqui. Não temos mais fronteiras. São feitos mais de 40 mil exames por mês.
A Empório das Lixeiras é um negócio de um segmento completamente diferente. Como você ingressou também neste ramo?
A Empório das Lixeiras foi um projeto muito legal, porque o Ismael (seu irmão) estava buscando uma oportunidade e, conversando, ele me perguntou sobre projetos e ideias e se eu gostaria de ser sócia dele. Disse que gostaria muito que trabalhássemos um processo empreendedor, que começasse com a identificação de um processo de valor, que fizéssemos um planejamento e abríssemos o negócio. Fizemos isso, trabalhamos de sete a oito meses na pesquisa do negócio, montamos, e hoje está aí. Eu tive a satisfação de conseguir realizar um projeto que nasceu de nós dois mesmo, iniciamos uma oportunidade que não tinha em Franca.
Você fala de tudo com muito entusiasmo e paixão. O que norteia seus projetos?
Eu já trabalhei no comércio e amava o que eu fazia, mas descobri ao longo do tempo que a minha paixão é por gestão. Eu adoro empresa, adoro gente, adoro lidar com todos esses processos. E lecionar é uma paixão. Busco a informação lá, e uma coisa completa a outra. A vida acadêmica completa a vida profissional, e a profissional enriquece a acadêmica.
Você também já foi embaixatriz no Leilão União de Forças Apae. Qual a importância de ter participação ativa no terceiro setor?
Hoje é fundamental a gente se envolver com projetos do terceiro setor, o mundo precisa disso. Temos que começar isso dentro de nossas empresas porque só seremos melhores se conseguirmos compartilhar com outras pessoas, desenvolvermos todos juntos, isso é fundamental.
Como é ser neta de um dos homens mais conhecidos de Franca, o ex-prefeito e médico Ismael Alonso y Alonso? Conhecemos parte do legado dele como político e médico. Mas para a família, que legado ele deixou?
Temos uma responsabilidade grande em respeitar esse legado que ele deixou. O grande legado não foi herança, mas sim o fruto do homem que ele foi, a contribuição que ele deixou para a sociedade, o homem caridoso que ele foi como médico, como pai de família, como marido. Ele exercia uma liderança muito forte, era uma pessoa muito envolvente, onde ele chegava as pessoas gostavam de parar para ouví-lo. Mas ele foi muito ponderado na maneira de se posicionar.
Como vocês observam a multidão que vem a Franca em busca de alguma forma de ajuda através do espírito de seu avô por meio do trabalho do IMA (Instituto de Medicina do Além)?
Respeitamos. Minha família é espírita e respeitamos o trabalho que o IMA faz. A família procura manter-se reservada porque meu avô sempre foi um homem que nunca gostou de publicidade. Ele foi o que foi pela natureza dele. Na essência dele, ele foi bom e não precisava que isso fosse mostrado. A nossa posição em relação ao IMA é de respeito, como a outros trabalhos também que já nos foram apresentados com o nome dele. A nossa posição é sempre de respeito e nunca de publicidade.
No mês passado você foi eleita por unanimidade presidente do Conselho Deliberativo da Acif, sendo a primeira mulher a assumir a cadeira na história dos 71 anos da entidade. Quais são seus projetos dentro da nova função?
O papel do Conselho não é o de interferir e sim o de colaborar com a diretoria executiva. A diretoria é aberta, participativa e isso abre muito espaço pra gente. A Acif é uma instituição que tem importância muito grande para a cidade, tem um reconhecimento muito grande, sendo no Estado de São Paulo talvez uma das associações que mais se destacam. Isso mostra o papel atuante que a diretoria e o conselho têm. Pretendemos contribuir para a formação do empresário francano. Temos muito interesse em ajudar o desenvolvimento desse empresário. Automaticamente, fazendo isso, estamos promovendo o desenvolvimento econômico.
Como você avalia a vontade que o presidente da Acif, Dorival Mourão Filho Mourão, demonstra em valorizar a ocupação por mulheres em cargos de linhas de comando em sua gestão?
A diretoria está sempre apoiando. A atual gestão está abrindo mais espaços, tanto é que o Mourão levou mais mulheres também para o Conselho, hoje somos em dez (entre efetivas e suplentes). Destaco também que tem o Conselho da Mulher Empreendedora dentro da Acif. Teve uma fala recente do Papa Francisco em que ele trata da importância da figura da mulher. A mulher passou por períodos mais complicados, em que não era ouvida. Hoje, ela está conseguindo se fazer ouvir.
Em geral, as mulheres têm no mínimo jornada dupla. Qual dica você daria a elas para que também consigam dar conta do recado, administrando bem seu tempo e sua vida? Como é sua rotina?
Acordo às 5h30 sempre, é uma coisa a qual me habituei. Não durmo cedo, durmo por volta das 23h30. É uma rotina intensa, mas é possível de ser realizada. Sinto-me bem em estar com o meu dia todo ocupado. Não sou simpatizante do ócio (risos). Gosto de me sentir ocupada, de ser útil. Consigo estar com as minhas amigas, temos o maior prazer em estar juntas. Família e amigos nos completam. Destaco que é fundamental a gente ser organizado. Costumo, no domingo, traçar os meus objetivos pelo menos da semana, de pensar o que eu quero realizar. A dica principal é a gente aprender a priorizar. Quando você consegue estabelecer prioridades, você consegue fazer tudo e ainda sobra tempo.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.