Um adeus que demorou muito


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Não é de hoje que o Comércio vem alertando a (agora) ex-secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, de que a sua situação poderia ficar complicada caso ela insistisse em se manter no posto. Ao contrário do que a Prefeitura tenta fazer crer, o setor é um dos mais criticados na administração de Alexandre Ferreira (PSDB) por causa de uma série de irregularidades e ilegalidades cometidas nos últimos anos, culminando com a ação de uma quadrilha de médicos falsos que se abancou nos Prontos-socorros “Dr. Álvaro Azzuz” e Infantil, atendendo mais de cinco mil cidadãos francanos. Ela já tinha sido indiciada pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) por causa da indústria de horas extras que se estabeleceu nas unidades de saúde do município, aliada às consultas relâmpago, tendo sido sucedidas pelos ‘plantões fantasmas’.
 
Embora garanta que não tinha conhecimento das fichas que mostravam médicos atuando em plantões de 24 horas por 30 dias seguidos, o que é humanamente impossível (e todos eles foram pagos ao Instituto Ciência da Vida), Rosane Moscardini foi desmentida por médicos que trabalhavam nas unidades de saúde, segundo os quais ela tinha conhecimento do que vinha acontecendo nos Prontos-socorros da cidade, pois havia sido alertada várias vezes. Em vez de apurar as denúncias, agiu como avestruz: enfiou a cabeça na terra e transferiu os acusadores para outras unidades de saúde. Preferiu afastar o problema, em vez de enfrentá-lo. Por isso, hoje, encontra-se encalacrada e na mira do Ministério Público, que fez buscas de documentos até em sua casa.
 
Rosane Moscardini não foi capaz nem de dar uma resposta aos familiares de quase uma dezena de francanos que morreram em circunstâncias suspeitas em atendimentos relacionados ao serviço público de saúde. Anunciou sindicâncias internas que não deram em nada e, assim como o seu chefe — o prefeito — não se manifestou ou procurou os parentes dos pacientes para externar ao menos seu pesar. Calou-se, da mesma forma que fez nas outras ocasiões em que esteve na berlinda, assim como na própria demissão. Diz que estava cansada, mas percebe-se que a ação do MP fazendo buscas em sua própria residência deixou-a assustada. Ela deixa a vida pública sem uma marca positiva, já que a excelência do atendimento público de saúde no Município só existe na propaganda oficial, paga a peso de ouro. A Casa do Diabético continua sucateada, francanos reclamam do atendimento nas unidades espalhadas pela cidade e o agendamento de consultas com especialistas continua cada vez mais difícil. O seu adeus foi tardio. E, nos próximos tempos, ela terá que arcar com o peso de sua atuação desastrada.

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