O cenário é de fim de feira. As salas estão vazias, não há quadro nas paredes, fios estão à mostra e objetos diversos estão encaixotados em um canto. Só falta o caminhão de mudança. Cinco dias após ser derrotado nas prévias e perder o direito de disputar a reeleição, Alexandre Ferreira desativou a sede do PSDB instalada há quatro anos na rua Liberdade, Vila Raycos. O prefeito alega que a medida foi tomada por contenção de gastos. A diretoria executiva do partido, no entanto, acredita que tenha sido mais uma retaliação.
Embora esteja isolado no partido, Alexandre segue como presidente do diretório municipal. Na manhã de ontem, ele convocou a imprensa para tentar rebater afirmações da executiva de que ele fechou a sede do PSDB e retirou objetos do local sem autorização. O que era para ser um argumento de defesa comprovou o desmonte e o encerramento das atividades do imóvel.
O prefeito não compareceu ao encontro que ele mesmo convocou. Apesar de ser uma questão partidária, que não tem relação com a Prefeitura, mandou seu assessor comissionado, Edvaldo Costa, que é filiado ao Solidariedade, ser o seu porta-voz. Um funcionário da divisão de trânsito do município, com carro oficial, acompanhou a visita.
Costa disse que o contrato de aluguel da sede do partido, que venceria ontem, não será renovado e que o imóvel será desocupado e devolvido à imobiliária. “Será entregue sim. As contribuições do partido vêm diminuindo, o aluguel é alto, e o prefeito, como presidente, tem que tomar a decisão administrativa.”
Na quinta-feira à noite, diferentes fontes ligadas ao diretório do PSDB afirmaram que Alexandre retirou objetos da sede sem ter avisado. A casa ficou fechada o dia todo e não havia ninguém para atender os telefonemas. “A funcionária contou que o prefeito mandou um caminhão ir até a sede do partido e retirar tudo o que tinha lá dentro. Eram coisas simples, mas que pertencem ao partido e não ao prefeito. Não sabemos para onde os materiais foram levados”, disse Wagner Artiaga, vice-presidente do PSDB. Ele afirmou que Alexandre não tinha autonomia para encerrar as atividades da sede do partido. “Nossa executiva tinha que ser consultada, mas não fomos comunicados. Foi mais uma lambança do Alexandre.”
Quem deu o alerta para a executiva do PSDB que a sede do partido estava sendo desmontada na surdina foi Silvia Mazza. Mulher do secretário municipal de Administração, Humberto Mazza, que é homem de confiança de Alexandre, ela trabalha como atendente do PSDB no diretório. Na tarde de quinta-feira, ela mandou mensagens de WhatsApp para Daniela Honório, secretária executiva do PSDB, informando da ocorrência: “Dani, vc já está sabendo que o diretório fechou?”. Surpresa, Daniela disse que não sabia e pergunta quando. “Hoje. O caminhão levou tudo embora. Não tem mais nada. Mas, eu não sei para onde levaram as coisas.” Daniela demonstra estar perplexa: “Deus do Céu.” Silvia Mazza concorda. “Então, fechou.” Os prints da conversa podem ser conferidos nesta página.
Edvaldo Costa não descartou a possibilidade de algum objeto ter sido retirado da sede por Alexandre sem que a executiva tivesse sido avisada. “Não vi levar nada daqui. Pode ter levado um notebook, que estava aqui, alguma coisa pessoal dele? Daí, é natural que ele pode ter levado.”
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