Tenho medo dos oportunistas. Questiono a legitimidade do atual governo ou desgoverno antes de toda essa sujeira. Sou favorável ao impeachment. Tenho muito medo do que se seguirá ou do que continuará. Li um relato e achei plausível o argumento. Tenho, como muitos, ficado com o pé atrás, quando a Lava Jato toca de leve no PSDB e no PMDB.
Volto à mente de Sérgio Moro. Já foi acusado de causar a bagunça no país. Sou totalmente contrário a essa afirmação. Por outro lado penso que ele caminha no fio da navalha, pensando na governabilidade do país que está desgovernado. Suponhamos que toda a porcaria venha à tona de uma única vez. O que faríamos? Fecharíamos o Congresso? Chamaríamos o Estado Islâmico? Trazemos de volta os militares? Nos ofereceríamos como mercadoria barata a algum país desenvolvido? Nos tornaríamos meretrizes de alguma economia que nos concedesse um pouco de alívio?
Acho que Sérgio Moro, que sabe muito mais que eu, evidentemente, tem feito escolhas. Certas ou erradas o tempo dirá... Espero que a Lava Jato chegue a todos os políticos. São mais de trezentos, dos vários partidos... Será que corremos o risco de ver nossos parlamentares se unirem em defesa da sobrevivência de todas as cobras? O raciocínio seria simples: sacrificaríamos umas cobras para contentar e apaziguar a multidão das ruas. Depois, em nome da governabilidade, assaríamos a pizza ao calor do forno a lenha, mais devagarinho, e voltaríamos a sentar à mesa... Sobra pouco, muito pouco. O mais desesperador: os que sobram são os considerados inúteis no páreo... São pangarés que cumprem a missão de embolar a pista onde correm os puros-sangues!
Fico indignado quando ninguém toca no assunto da falência comprovada de nosso sistema político. Como não se faz uma reforma política decente? Será que alguém acredita que o financiamento das campanhas eleitorais irá mudar de forma substancial? Todos, todos os partidos com mínimo de possibilidades de conseguir algum cargo, são financiados. Aqueles que chegam ao poder devem pagar... Aqueles que não chegaram alegam que receberam de forma legal... A oposição, seja qual for, terá sempre esse álibi.
A ilegalidade não está na forma de receber a doação para a campanha, está no compromisso mafioso de recompensar o investimento feito, que chamam de ‘financiamento legal de campanha’. Indigno-me, me sinto burro, muito burro... Será que só eu vejo isso? Não é possível...
Todos os governos, em todos os tempos, cometeram erros e pecados graves. Fui favorável ao segundo mandato de FHC, mas me lembro de que foi comprado. Penso que só existe uma explicação: nós estamos num país feito para não dar certo. Tudo tende à corrupção, a falcatruas. Um jogo de interesses desmedidos e nós, cidadãos, somos marionetes nas mãos truculentas de jogadores vorazes.
No Brasil, porque as regras mudam durante o jogo, empresas não conseguem acompanhar mudanças na legislação, os impostos se multiplicam aos milhares... Tudo parece feito para ser errado. É preciso sonegar. É impossível cumprir a lei. Não cumprida a lei, se institucionaliza a indústria da multa!
Simples, razoável, perverso, desgraçadamente pensado para dar errado, para criar o suborno, alimentar a corrupção em todos os níveis...
A quem interessa essa forma de viver? Com isso estamos todos jogados na mesma lama. Mantemos a cultura da malandragem. O sujo não pode falar do mal lavado, o roto não pode falar do rasgado. Estamos presos num país feito para dar errado. Não teremos reforma substancial neste sentido...
Será que, como eu, alguém se lembra do Ministério da Desburocratização? (PJR)
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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