Família quer R$ 500 mil por morte no clube da Francana


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Maicon Santana, 24 anos, morreu afogado em 2015
Maicon Santana, 24 anos, morreu afogado em 2015
Seis meses depois, a morte do tapeceiro Maicon Prado Santana, de 24 anos, na Associação Atlética Francana, veio novamente à tona. Isso porque a família, após o encerramento do inquérito policial, entrou na Justiça e está pedindo uma indenização de R$ 528 mil pelo afogamento de Santana na piscina do clube, localizado na área central de Franca.
 
Na semana passada, os irmãos e a mãe da vítima ingressaram com uma ação na 1ª Vara Cível contra a Francana e o Sindicato dos Sapateiros, locatário do clube. De acordo com o advogado da família, Adauto Fernando Casanova, o principal motivo da busca pela indenização de meio milhão de reais é a preocupação com o futuro dos filhos que Maicon deixou, de três e cinco anos. “Embora nada possa suprir a falta dele, talvez, no ponto de vista material, algo possa ser feito por essas crianças que vão crescer sem o pai”, afirmou o advogado.
 
Para o sapateiro Deivid Santana, irmão de Maicon que prestou depoimento durante as investigações policiais e esteve no clube no dia do afogamento, alguém deve ser responsabilizado pelo que aconteceu e arcar com as conseguências. “Não tinha ninguém lá. É por isso que estamos pedindo a indenização. Foi falta de atenção do clube e do sindicato”.
 
A ação, que começou a correr na Justiça no dia 3 de maio, será analisada pelo juiz João Sartori Pires. Ainda não há uma data para julgamento. O processo foi recebido com surpresa pelo presidente do sindicato, Sebastião Ronaldo. “Estou sabendo agora com sua ligação (da reportagem). O que conheço da história foi o que vi nos veículos de comunicação, já que, na época, era outro grupo à frente do sindicato”, disse. 
 
Procurado durante o final da tarde e na noite de ontem, o presidente da Francana, Anderson Pereira Silva, não atendeu às ligações em seu celular.
 
O caso
Maicon Prado Santana morreu afogado no dia 19 de setembro de 2015. Seu corpo estava boiando na piscina da Francana quando foi avistado pelo zelador da instituição, contratado pelo sindicato.
 
Na semana seguinte, a tragédia começou a ser investigada pela Polícia Civil. O delegado Luís Carlos da Silva, responsável pelo 1º Distrito Policial, ouviu pessoas que tinham conexão com o caso. Entre elas, estavam o presidente da Francana, o responsável pelo sindicato na época da fatalidade, seu assessor jurídico e Deivid. Ele afirmou que a vítima havia ingerido bebida alcoólica antes de ir para o clube e não sabia nadar.
 
O salva-vidas e o zelador do clube, contratados pelo sindicato, também prestaram depoimentos. Os dois disseram que o tapeceiro relutou para sair do local. “Em sua versão, o salva-vidas disse que se deparou com o tapeceiro embriagado, com fala arrastada, olhos avermelhados e nadando sozinho. Ele orientou para que a vítima saísse da água. “Sei o que estou fazendo, cuida da sua vida e não me enche o saco (sic.)”, contou Silva.
 
Outro depoimento foi o do zelador. Foi ele quem retirou Santana da piscina, morto. A testemunha contou que viu algumas roupas caídas perto do vestiário quando o expediente já tinha sido encerrado. “Às 17h20 do dia dos fatos, ele se despediu do salva-vidas. Depois, encontrou as roupas e passou a procurar o dono. Mas, já não tinha ninguém no clube, exceto a vítima, que estava dentro da piscina. Ele tirou o corpo, tentou ressuscitá-lo e acionou o Samu”, contou o delegado.
 
O inquérito foi encerrado meses depois, sem que ninguém respondesse criminalmente pelo fato. Diante disso, a família ingressou com um processo na área cível, acusando o clube e o sindicato de negligência. “Nossa vida não está fácil desde setembro. Tivemos de aprender a viver sem meu irmão, que era tudo para mim, e sem ajuda”, disse Deivid.

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